Thiago Esperandio / Mundo vasto Mundo


Eu assinei...

Finalmente os professores da USP tiraram a bunda da cadeira e resolveram tentar fazer algo para mudar a cidade. As universidades estão fechadas em si mesmas, e apesar de consumir muito dinheiro público, aparentemente (espero que eu esteja errado) revertem muito pouco à sociedade.

Enfim... professores da USP fizeram um manifesto contra a ampliação das marginais. Há números interessantes no manifesto e mostram a política tucana de privilegiar os ricos, além de mostrar o quanto isso é prejudicial a todos na cidade, inclusive aos ricos...

Segue a íntegra do manifesto que pode ser assinado, caso haja concordância por parte do leitor:

 

"Abaixo assinado (iniciado por professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP) sobre as ampliação das faixas nas Marginais em SP.

Segue o link para quem quiser assinar:

http://www.petitiononline.com/USP/petition.html

 

To: PREFEITURA DO MUNIÍCIPIO DE SÃO PAULO E GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Nós, professores da Universidade de São Paulo, preocupados com o futuro de São Paulo, vimos por meio deste apresentar nosso total repúdio à política pública urbana que vem sendo implementada no Município, denominada “Revitalização da Marginal do Rio Tietê”, que prevê a construção de seis novas faixas de rolamento (três de cada lado) nessa via, consumindo R$ 1,3 bilhão em investimentos do Governo do Estado, da Prefeitura do Município de São Paulo, e das concessionárias das rodovias que usam o trajeto da Marginal.

Tal obra repete práticas de planejamento equivocadas, que levaram a metrópole ao colapso atual. Ao invés de reverter tal lógica, prioriza o transporte individual em detrimento do transporte coletivo, reproduzindo uma política excludente, além da triste tradição brasileira de obras vistosas que beneficiam a minoria e os setores especializados da construção civil. Ela se opõe frontalmente aos princípios de priorização do transporte coletivo sobre o individual constante do Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo e dos Planos Regionais Estratégicos das Subprefeituras.

O mais inaceitável é que os dados técnicos ratificam esta urgente e necessária priorização do transporte coletivo. A Pesquisa OD 2007, realizada pela Companhia do Metrô, mostra que: a taxa de motorização da Região Metropolitana é de menos de 20 veículos para cada cem habitantes; metade das famílias da região metropolitana não possui automóvel, parcela essa na qual se concentram as de mais baixa renda; e que um terço das 37,6 milhões de suas viagens diárias ainda é feita a pé, em função das péssimas condições sócio-econômicas da população. As viagens de automóvel correspondem a apenas 11,2 milhões, ou seja, aproximadamente 30% do total.

Se somarmos os gastos de todas as grandes obras viárias realizadas nos últimos 15 anos e daquelas previstas para o Centro Expandido da capital, aonde se concentram os estratos de maior renda, chega-se ao montante de vários bilhões de reais, valor mais que suficiente para a implantação de toda a Linha 4 – Amarela do metrô.

A Cidade do México, tomando um exemplo com alguma similaridade com São Paulo, iniciou o seu metrô na mesma época que nossa capital. Atualmente, apresenta uma rede com 202 km de extensão, face aos tímidos 61 km do metrô de São Paulo. Apesar da aceleração recente do ritmo das obras, o incentivo ao transporte coletivo é insuficiente, pois, mantendo-se o ritmo atual, serão necessários ainda assim aproximadamente 20 anos para alcançarmos a quilometragem da cidade do México.

Por outro lado, o sistema de trens, embora tenha uma quilometragem mais extensa que a do metrô, apresenta serviço irregular, com índices de conforto baixíssimos, espremendo seus usuários em uma concentração de 8,7 passageiros por metro quadrado nos trechos mais carregados no horário de pico, segundo dados da CPTM para maio de 2009. E mesmo o Metrô, que já foi fonte de orgulho quando da sua inauguração, ganhou o triste primeiro lugar em lotação entre todos os metrôs do mundo, segundo reportagens recentes.

Por fim, ressaltamos os problemas ambientais e de saúde publica resultantes dessa opção pelo transporte individual, que consome enorme quantidade de combustível fóssil, sendo que a emissão de gases poluentes por pessoa transportada é bem maior que a produzida pelo transporte público que se utiliza do mesmo combustível. Pesquisas do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP demonstram que a poluição é responsável por 8% das mortes por câncer de pulmão na cidade e que 15% das crianças internadas com pneumonia na rede hospitalar são vítimas da má qualidade do ar na cidade. Mesmo o recente Programa de Inspeção Veicular não consegue resolver esse problema em vista do crescimento da frota de veículos da metrópole que é de 10% ao ano. Além do mais, as obras da Marginal deverão ter impacto metropolitano e regional, porém foram licenciadas apenas no âmbito municipal.

Esse fabuloso investimento em um urbanismo rodoviarista em detrimento da construção de um sistema de transporte público amplo, eficiente e limpo, que atenderia à maioria da população, é um assustador retrocesso, que caminha na contramão da atual preocupação mundial com o meio ambiente. Acreditamos que as políticas públicas urbanas devam ser ambientalmente responsáveis e pautadas pelo atendimento das demandas da maior parte da sociedade. Políticas como aqui apontadas reforçam o caráter segregacionista da nossa cidade, privilegiando os estratos de maior renda e relegando a maioria da população a condições precárias de transporte e mobilidade, com danos ambientais para todos os cidadãos da metrópole. Por fim, esta obra não resolverá os problemas de transito da cidade, e muito menos da própria Marginal do Tietê."

 

Este texto derruba vários argumentos tucanos como os que dizem que eles são bons administradores, pois está provado com números acima que eles estão comentendo um erro estratégico ao optar por esse tipo de gasto do dinheiro público; derruba também o argumento de que eles trabalham para as pessoas, repetido até a exaustão por Serra e Kassab (vulgo Sr. Burns e Smithers), é a prova de que eles trabalham para as pessoas RICAS somente.

Nota-se no texto que precisaríamos de 20 anos para alcançar o que a Cidade do México tem hoje... ou seja, estamos 20 anos atrasados e, por coincidência, temos quase 20 anos de administrações tucanas em São Paulo...

Está na hora de o povo paulista deixar de ser egoísta e entender que ajudando a todos, todos serão ajudados... parece óbvio, mas na prática não acontece. É preciso valorizar candidatos com propostas para o coletivo e não para o indivíduo.

Não basta reclamar, é preciso identificar onde estão acontecendo os erros, para não os repetir.

 

Como contribuinte, gostaria que meu dinheiro fosse gasto em obras do metrô e não em marginais, apesar de eu ter carro, e gostaria que meu dinheiro não fosse gasto em propagandas esquizofrênicas de TV a cada 5 minutos.



Escrito por Thiago Esperandio às 17h19
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Bombardeio em São Paulo

Nos últimos dias tenho visto um bombardeio na TV. 

Um bombardeio de propagandas do governo estadual.

É incrível o descaramento. A cada intervalo, seja em emissoras pequenas como a Gazeta, seja na caríssima Rede Globo, tem, ao menos, duas propagandas do Governo Estadual.

 

Tenho amigos que se dizem ofendidos por ver o Governo Lula pegar o dinheiro que eles pagam de impostos e ficar distribuindo aos pobres em forma do Bolsa Família e outros projetos, no entanto, não os vejo se indignarem com esse abuso marketeiro do dinheiro público. De onde as pessoas acham que o dinheiro para tanta propaganda vem senão dos impostos que pagamos? 

Uma das propagandas fala sobre as estradas do Estado, nitidamente uma tentativa dos marketeiros de José Serra para defendê-lo do apelido de "José Pedágio" que ele ganhou na internet. Estradas que não foram construídas pelo (des)governo do PSDB e que não são administrada por eles, pois as venderam para empresas que cobram tarifas abusivas de pedágio, impedindo o direito de ir e vir de quem é pobre e não tem condições de pagar pela exorbitância.

É claro que as emissoras de TV não vão falar nesse escândalo, pois têm sido beneficiadas pela transferência de dinheiro.

Chega a ser insultante ver, por exemplo, as propagandas mostrarem uma marginal linda; em computação gráfica, sendo que os níveis de trânsito chegaram a um grau que há pouco tempo não era nem imaginado; outra em meio a um transporte público vexatório e as propagandas mostrarem pessoas dançando na plataforma do metrô.

As pessoas se afogam em meio a enchentes, diantes do noticiário apontando o tempo todo que houve redução nas verbas municipais e estaduais para o combate às inundações e houve aumento ou manutenção das verbas para propaganda no orçamento aprovado pelas câmaras.

Parece que os paulistas vivem na Matrix mesmo. Enfrentam a paralisia, seja no trânsito, seja nas enchentes, seja no transporte público, mas ficam felizes em ver uma imagem bonita na TV, ainda que ela não corresponda em nada à realidade que experienciam ao sair de suas casas.

A última pesquisa mostrou que houve um aumento na taxa de aprovação do Governador. O que explica isso? É essa a escolha que a população faz?

Que futuro teremos se continuarmos a ter prioridades tão individualistas?

 

Se é ofensivo um dinheiro ser dado a quem precisa, como pode ser classificado o uso de tanto dinheiro para obras cuja prioridade é, no mínimo questionável, ou para propagandas esquizofrênicas? 

A população paulista, ao optar por governos que privilegiam sua vida individual, em detrimento de governos que privilegiam o bem estar coletivo, pagam por isso com o aumento da violência, com a falta de opções para o trânsito, com os altos custos para conseguir fazer coisas pequenas como ir até Campinas ou alguma cidade próxima à capital, entre outras coisas.

 

Mas, parecem sentir prazer em pagar por isso...



Escrito por Thiago Esperandio às 20h31
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Marcelo Migliaccio

Tenho lido recentemente o site do jornal carioca Jornal do Brasil (JB).

É uma surpresa agradável. É um jornal plural. Tem jornalistas como Mauro Santayana, busca muita informação pro site na Agência Brasil e no Portal Terra, que parecem ser mídias ainda preocupadas em fazer algum jornalismo.

Hospedado no site do JB está o blog de Marcelo Migliaccio, de onde tirei esse post comentando a eleição de Lula como o Homem do ano pelo Le Monde:

 

Quem quiser conferir a íntegra do artigo, clique aqui. Eu reproduzo suas principais partes abaixo:

 

Por Marcelo Migliaccio:

 

"E agora, vão dizer que o Lula pagou o Le Monde para falar bem dele?

Vão dizer que os jornalistas do Le Monde falaram bem do Lula porque querem uma boquinha na TV Brasil?

Talvez queiram entrar no Bolsa-Família...

Só quem fala mal do Lula hoje é o jornal que tem nome de biscoito que se come na praia (ouvi dizer que há um biscoito no Rio de Janeiro que chama GLOBO), a revista que pensa que leitor é cego (menção explícita à revista VEJA - argh!!!) e aquele diário caipira que emprestava seus carros para transporte de presos políticos torturados na DITADURA (Menção ä Folha de S. Paulo), período que conheci e vivi muito bem, pois tenho 46 anos.

A única oposição ao Lula e ao seu projeto de distribuição radical de renda é a mídia mais retrógrada, os velhos golpistas de sempre, que abaixavam as calças para os governos militares e hoje posam de imprensa independente e crítica.

Em seu último ano de governo, Lula vai gastar mais 30 bilhões dando escola e comida a quem precisa. Isso para os egoístas reacionários é o fim da picada. Essa gente prefere blindar dez carros do que ver uma criança da favela fazendo três refeições por dia e estudando. Essa gente odeia a igualdade de oportunidades, porque é medíocre e sabe que não se garante. Não lhes basta serem ricos, é preciso que haja pobres. Querem desfilar seus carrões importados diante dos miseráveis famintos que pedem nos sinais!

Preferem ver a riqueza do país privatizada de graça, como fizeram os tucanos, do que admitir que um nordestino, metalúrgico, sem estudo geriu o país melhor que os catedráticos escravocratas.

Onde está a oposição? Ninguém fala nada, ninguém tem nada para falar.

A oposição hoje se resume à mídia, que só consegue dizer que a Dilma Housseff (aliás, Rousseff) é antipática. Se eu levasse eletrochoque nos mamilos numa sala de tortura também me tornaria uma pessoa que não vive por aí arreganhando os dentes para qualquer um. E repare como alguns jornais publicam sempre as piores fotos dela. Mas não vai adiantar, porque quando o barbudo aparecer na TV ao lado da sua candidata, dizendo que ela vai reforçar ainda mais os programas sociais, não vai ter vampiro Nosferatu (pobre Sr. Burns...) nenhum que vire o jogo.

Lamento, meus amigos, mas isto é um blog e o blogueiro tem opinião. Aqui, não tem abobrinha, nem ninguém em cima do muro.

Feliz Natal a todos. Um Natal sem fome, graças ao Bolsa-Família, que não é esmola, é FRATERNIDADE."



Escrito por Thiago Esperandio às 14h44
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Agora o FHC se mata...

Jornal Le Monde elege Lula como o "Homem do Ano"

 

 

O jornal francês Le Monde escolheu o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva como o “Homem do Ano”, apontando-o como responsável pelo renascimento do Brasil como um gigante na cena mundial. É a segunda homenagem deste tipo que Lula recebe neste final de ano. O jornal espanhol El País também elegeu o presidente brasileiro como a “Personalidade do Ano” e a revista The Economist dedicou um número especial ao Brasil, destacando na capa o Cristo Redentor como um foguete decolando rumo ao espaço.


Na homenagem divulgada nesta quinta-feira (24), o Le Monde afirma: “Embandeirado dos países emergentes, mas também do mundo em desenvolvimento do qual se sente solidário, o presidente brasileiro, de 64 anos, colocou decididamente seu país em uma dinâmica de desenvolvimento".

 

Na avaliação do jornal francês, “o presidente brasileiro, que no fim de 2010 deixará a presidência sem ter tentado modificar a Constituição para concorrer a um terceiro mandato, soube continuar sendo um democrata, lutando contra a pobreza sem ignorar os motores de um crescimento mais respeitoso dos equilíbrios naturais". E acrescenta:


Presidente do Brasil desde 1º de janeiro de 2003, ao fim de dois mandatos terá dado uma nova imagem a América Latina". "A consagração de Lula acompanha a renovação do Brasil", destaca a publicação que define assim o presidente brasileiro: "Carismático, de sorriso fácil e jovial, Lula, nascido em 27 de outubro de 1945 no estado de Pernambuco, ex-torneiro mecânico e sindicalista, transformou o Brasil em ator essencial do cenário internacional. Diplomacia, comércio, energia, clima, imigração, espaço, droga: tudo lhe interessa e diz respeito."


O Le Monde destaca ainda que Lula foi o primeiro presidente da América Latina a ser recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Casa Branca. O jornal aponta também como destaques da ação do presidente brasileiro a liderança exercida dentro do G20, a aspiração do Brasil a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e a condição de primeiro sócio comercial da China.


Já o espanhol El País destaca a gestão do presidente brasileiro dizendo: “Quando foi eleito para um segundo e último mandato, Lula disse que o Brasil estava cansado de ser uma potência emergente e que havia chegado a hora de o país se tornar um país desenvolvido sem andar para trás outra vez. Esta é a ambição com que Lula passará à história, diz o jornal.

“Nos sete anos de Presidência, Lula fez o país avançar muito; o Brasil foi o primeiro país a sair da recessão provocada pela crise econômica mundial, seus índices de crescimento ao longo deste período tem sido muito superiores aos das duas décadas anteriores, a pobreza extrema caiu de 35% em 2001 para 24,1% em 2008, e quatro milhões de cidadãos deixaram o patamar da pobreza, incorporando-se às classes médias que já superam a casa dos 50% da população".

 

E a imprensa brasileira não para de falar mal do cara... é triste ver pessoas desejando o mal do povo só para proteger quem os enriquece e os torna ainda mais ricos do que já são...

 



Escrito por Thiago Esperandio às 15h57
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Mudanças climáticas

Leonardo Boff fala sobre a encruzilhada da preservação ambiental que os green peaces não falam.

 

É preciso entender algumas coisas e tocar o dedo na ferida. Quem está realmente disposto a mudar algo?

 

"

É a treva: rumo ao desastre

 

Uma jovem e talentosa atriz de uma novela muito popular, Isabelle Drummond, sempre que fracassam seus planos, usa o bordão:”É a treva”.

Não me vem à mente outra expressão ao assistir o melancólico desfecho da COP 15 sobre as mudanças climáticas em Copenhague: é a treva!

Sim, a humanidade penetrou numa zona de treva e de horror. Estamos indo ao encontro do desastre.

Anos de preparação, dez dias de discussão, a presença dos principais líderes políticos do mundo não foram suficientes para espancar a treva mediante um acordo consensuado de redução de gases de efeito estufa que impedisse chegar a dois graus Celsius.

Ultrapassado esse nível e beirando os três graus, o clima não seria mais controlável e estaríamos entregues à lógica do caos destrutivo, ameaçando a biodiversidade e dizimando milhões e milhões de pessoas.

O Presidente Lula, em sua corajosa intervenção no dia mesmo do encerramento, 18 de dezembro, foi a único a dizer a verdade:”faltou-nos inteligência” porque os poderosos preferiram barganhar vantagens a salvar a vida da Terra e os seres humanos.

Obama não trouxe nada de novo. Foi imperial, ao impor minuciosas condições aos pobres.

Duas lições se podem tirar do fracasso em Copenhague: a primeira é a consciência coletiva de que o aquecimento é um fato irreversível, do qual todos somos responsáveis, mas principalmente os paises ricos.

E que agora somos também responsáveis, cada um em sua medida, pelo controle do aquecimento para que não seja catastrófico. Depois de Copenhague mudou a consciência coletiva da humanidade. Se irrompeu essa consciência por que não se chegou a nenhum consenso?

Aqui surge a segunda lição que importa tirar da COP 15 em Copenhague: o grande vilão é o modo de produção capitalista, mundialmente articulado, com sua correspondente cultura consumista. Enquanto for mantido, será impossível um consenso que coloque no centro a vida, a humanidade e a Terra.

Para ele o que conta é o lucro, a acumulação privada e o aumento de poder de competição. Faz tempo que ele distorceu a natureza da economia como técnica e arte de produção dos bens necessários à vida. Ele a transformou numa brutal técnica de criação de riqueza por si mesma sem qualquer outra consideração.

Essa riqueza nem sequer é para ser desfrutada mas para produzir mais riqueza ainda, numa lógica obsessiva e sem freios.

Por isso, ecologia e capitalismo se negam frontalmente. Não há acordo possível.O discurso ecológico procura o equilíbrio de todos os fatores, a sinergia com a natureza e o espírito de cooperação.

O capitalismo rompe com o equilíbrio ao sobrepor-se à natureza, estabelece uma competição feroz entre todos e pretende tirar tudo da Terra, até extenuá-la. Se assume o discurso ecológico é para ter mais ganhos.

Ademais, o capitalismo é incompatível com a vida. A vida pede cuidado e cooperação. O capitalismo sacrifica vidas, cria trabalhadores que são verdadeiros escravos “pro tempore” e pratica trabalho infantil em vários paises.

Os negociadores e os líderes políticos em Copenhague ficaram reféns deste sistema. Esse barganha, quer ter lucros, não hesita em pôr em risco o futuro da vida. Sua tendência é autosuicidária.

Que acordo poderá haver entre o lobo e o cordeiro, quer dizer, entre a natureza que grita por respeito e aquele que a devasta sem piedade?

Por isso, quem entende a lógica do capital, não se surpreende com o fracasso da COP 15.

O único que ergueu a voz, solitária, como um “louco” numa sociedade de “sábios”, foi o presidente Evo Morales, da Bolívia: “Ou superamos o capitalismo ou ele destruirá a Mãe Terra”.

Gostemos ou não gostemos, esta é a pura verdade.

Copenhague tirou a máscara do capitalismo, incapaz de forjar consensos porque pouco lhe importam a vida e a Terra mas antes as vantagens e os lucros materiais.

 

Leonardo Boff é teólogo



Escrito por Thiago Esperandio às 15h19
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Pequenas palavras, grandes merdas

Tenho achado até graça e tenho sentido até certo prazer em ver a imprensa tentar atingir o Lula. Explico rapidamente os dois motivos que me levam a isso:

O Primeiro é que, vejo nessas tentativas de agressão, um desespero de quem não sabe mais o que fazer para impedir o aumento da popularidade do presidente, que, aliás, é o segundo motivo do prazer... Certa vez estive em Goiás (Cidade linda de Pirenópolis) e, dentro de um bar, tinha um cartaz na parede com os seguintes dizeres em pleno período do mensalão:

" Lula é como pão... quanto mais batem, mais cresce..."

Esta semana a imprensa tentou criticá-lo porque em um discurso ele disse a palavra " MERDA"... vejam só meus amigos: Quem diria que temos pessoas de "léxico" tão pudorado em nossa imprensa a ponto de a palavra "MERDA" ser tida como expressão ofensiva, ainda mais quando sabemos que as pessoas do Nordeste a quem Lula falava moram muito perto da merda mesmo.

Enfim, não ia nem me declarar a respeito, mas li um texto primoroso falando do assunto. Confiram:

 

"Fala, fala minha gente! Por Lucia Masini, fonoaudióloga

Uma das capacidades humanas mais fantásticas é a da produção e uso da linguagem. Diferente de qualquer outro animal, o ser humano, pelo discurso, reflete, cria ou modifica uma realidade.

Assim, para que possamos ter a compreensão do que é dito não podemos desvinculá-la da situação de origem, pois para que se entenda o sentido de uma palavra é preciso que se considere seu contexto de produção, o que inclui: os interlocutores, o conhecimento que cada um tem do outro, o horizonte que têm em comum, a avaliação do contexto em que o discurso é proferido.

E isso vale para palavras ou palavrões.

Proferidos isolados ou encadeados num enunciado, devemos sempre nos voltar para sua situação discursiva para entendermos seus sentidos.

Nesta última semana, tivemos algumas situações bastante ilustrativas do tema.

Comecemos pela fala do Presidente Lula, no lançamento de um programa de saneamento em São Luís, no Maranhão.

A certa altura de seu discurso, ele diz: “Eu não quero saber se o João Castelo é do PSDB, se o outro é do PFL, eu não quero saber se é do PT. Eu quero saber se o povo tá na merda e eu quero tirar o povo da merda em que ele se encontra”.

Pela plateia local Lula foi ovacionado.

Pela oposição, criticado por fazer uso de palavras chulas, abrindo um precedente para o descumprimento futuro de protocolos específicos de um governante, dentre os quais figura o uso de uma linguagem formal e adequada às esferas públicas e oficiais.

Entretanto, ninguém se sentiu ofendido pelo palavrão proferido, até porque não houve ofensa gratuita a ninguém.

A população ali presente, moradores do Residencial Camboa, entendeu que o Presidente se referia a uma de suas mais importantes e antigas necessidades e, ao falar daquela forma, estava dizendo, enfaticamente, que não teria dificuldade operacional que o fizesse desviar de seu objetivo: acabar com as palafitas de nosso país.

O palavrão soou como desabafo e identificação com o sofrimento daquela população que era, naquele momento, seu principal interlocutor.

Dias depois, outro governante se viu na situação de se dirigir à população para explicar e se explicar diante do caos em que São Paulo literalmente mergulhara após as fortes chuvas da última terça-feira.

Kassab falou à mídia da seguinte forma: “Foi um dia difícil pra cidade, mas não foi o caos. O caos é quando se perde o controle e você não sabe as causas para o que aconteceu. (Quando se tem) uma cidade sem rumo.

Na terça, tínhamos um fato específico, uma chuva intensa, localizada, além do transbordamento do rio Tietê.

Mas todos sabíamos o que estávamos fazendo e para onde iríamos. O caos é diferente. O caos é o caos.

Alagamentos, bloqueio das marginais, interdições de rodovias, deslizamentos de terra e morte. Seis mortos, sendo quatro da mesma família.

Ainda que todos os noticiários se referissem à situação como caótica e cada um dos cidadãos paulistanos tenha sofrido alguma consequência da enchente que engoliu parte da cidade, o prefeito de São Paulo preferiu minimizar o problema, teorizando sobre o conceito de caos.

Acaso o uso de um discurso formal mostrou-se mais adequado à situação?

Comparando ambas as situações, qual fala foi mais ofensiva ao interlocutor?

Quem, de fato, foi mais chulo na elaboração de seu discurso?

Quem abre mais precedentes para o descumprimento de ações de responsabilidades do cargo que ocupa?
Não é o palavrão em si que determina a inadequação ou grosseria do enunciado.

Deixemos de lado, definitivamente, a ingenuidade (ou a estratégia) de dizer que Lula não sabe falar.

Por vezes, ele pode ousar, ou mesmo exagerar, na escolha das palavras, mas o faz sabendo a quem as dirige, imprimindo em seu interlocutor o sentimento de ter sido considerado pelo outro. É o acolhimento que faz toda diferença.

Da mesma forma que ninguém, em São Luís, sentiu-se ofendido por Lula, ninguém, em São Paulo, sentiu-se acolhido por Kassab.

Por fim, navegando pela web para saber o que os internautas falaram sobre o assunto, encontrei um comentário bem humorado no jogo criativo que fez das palavras, em resposta à justificativa que Serra deu para a tragédia paulistana.

Para o governador: "A culpa é da população que joga lixo nas ruas".

Para o internauta, Clovis Campos: "Serra está prenhe de razão. A culpa é da população de São Paulo que joga há mais de quinze anos lixo nas URNAS" (ênfase do autor).

É isso aí.

Para conferir esse e outros comentários de cidadãos brasileiros, cada vez mais afiados no uso da palavra, sugiro www.viomundo.com.br

Ainda sobre o palavrão em outros contextos, www.ifono.com.br

Quem é Lucia Masini

Fonoaudióloga, docente do curso de Fonoaudiologia da PUC-SP, doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC-SP e co-responsável pelo site: www.ifono.com.br "

 



Escrito por Thiago Esperandio às 17h41
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Pequenas palavras, grandes revelações

O primeiro mensalão, de que se tem notícia, foi feito pelo PSDB através do senador Azeredo que era então governador do Estado de Minas Gerais e tinha sido presidente do partido.

Depois veio a publico o mensalão petista e agora o mensalão dos Demos (democratas, ex-PFL)

 

O presidente Lula pede o financiamento público de campanha para que essa prática acabe, ou seja, tirando das empresas a possibilidade de contribuir para as campanhas, acaba a margem para a prática do chamado caixa 2.

 

Bom, mas o que quero mostrar aqui é a posição da imprensa diante do episódio...

O mensalão do PT é chamado de mensalão petista

O mensalão dos "demos" é chamado de mensalão do DEM

 

Já o mensalão dos tucanos, pai de todos os mensalões, é chamado de: Mensalão Mineiro...

 

E a nossa imprensa ainda se diz livre... preferem atacar a imagem do povo mineiro para não ter que dar nome aos bois, ou melhor, aos tucanos...

 



Escrito por Thiago Esperandio às 11h24
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São Paulo da garoa?

Mais uma vez SP está debaixo d`água...

 

Com as novas faixas da Marginal, a água que transborda do rio Tietê vai ficar mais tempo ainda por aí, já que agora ela tem menos lugares ainda que a absorva.

A gestão tucana está de parabéns. A classe média paulista merece, pois sempre vota neles, num sinal claro de que apoia a falta de consideração pela convivência harmoniosa entre a cidade a natureza e os cidadãos. Em breve, comprarão carros anfíbios, mas não abrirão mão do privilégio de andar de carros e não deixarão de votar nos tucanos dos rodoanéis caídos, metrôs afundados, empresas privatizadas, etc...

 

Não se importam nem nunca se importarão com a falta de investimento no metrô que ao longo dos 16 anos de governadores tucanos (Covas, Alckimin e Serra) não aumentou nem metade do que poderia ter aumentado.

Técnicos da prefeitura (não são técnicos do PT) informaram que com o custo para construir as novas faixas da marginal seria possível construir 20Km de metrô, o que corresponde a metade do que já existe.

As novas faixas da marginal, além de piorarem a absorção das águas em dias chuvosos, vão resolver muito pouco o problema do trânsito.

 

A imprensa culpa Deus pelo que aconteceu hoje, pois os tucanos devem ser preservados e Deus não disputa cargos nas eleições, talvez culpe São Pedro e digam que ele tem alguma divergência teológica com São Paulo e por isso ataca a cidade que herdou seu nome.

Ou, como diz meu amigo Wilken, a imprensa vai dizer que Serra é um engenheiro ecologista e promoveu a ampliação das margens do Rio Tietê. 

 

 

 

 



Escrito por Thiago Esperandio às 17h18
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Deja vu?

Não, não é um deja vu... a popularidade do Lula cresceu de novo... 73% de aprovação do governo e 83% de aprovação ao presidente...

Se depender do Lula esse blog vai ficar muito repetitivo e as pessoas vão ficar achando que eu só fico publicando a mesma notícia...

 



Escrito por Thiago Esperandio às 16h59
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Uma rapidinha pra matar a saudade...

Já falei sobre o assassinato do tempo na última postagem. Como o tempo é curto, vou ter que dar essa rapidinha...

 

1 - Diante de todo o fato do Apagão, a imprensa tenta aterrorizar a população de todo o jeito e, sob a legitimação de supostos especialistas, cria explicações esquizofrênicas para o episódio.

Nosso governador Sr. Burns é chamado a todo momento para dizer que as explicações do governo federal não são boas, mas nunca foi chamado para explicar o buraco do metrô, sobre o qual nunca pronunciou uma palavra e tentou explorar politicamente se fingindo de solidário e indo ao "enterro dos soterrados"

 

A oposição faz uso político do episódio e prefere atacar Dilma Roussef do que ouvir o Edson Lobão, ministro do Ministério de Minas e Energia, portanto, pessoa mais indicada para falar sobre o assunto, mostrando mais uma vez que seus interesses políticos estão acima dos interesses da população que deveriam representar.

 

No Sistema Elétrico, a causa, aparentemente, foi pontual, o que só deve voltar a ocorrer se houver uma convergência de fatalidades, no caso da imprensa, o apagão é conjuntural...

 

2- Sobre o caso da universidade Uniban(didos) ou como disse a Marta Suplicy em seu site: Taliban e não Uniban, o melhor artigo que li até o momento é de Maria Rita Kehl, quem já citei nesse blog e que tem sido a pessoa com opiniões mais lúcidas sobre a sociedade que tenho lido ultimamente.

Cliquem para ler Maria Rita Kehl: Facismo Banal

 



Escrito por Thiago Esperandio às 19h50
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Matar o tempo

 

O macarrão fica pronto em 3 minutos, a pipoca é quase instantânea, o Hamburguer fica na estufa te esperando e deve ser consumido em no máximo 10 minutos para que apodreça dentro do seu organismo e não à vista e ao olfato dos outros consumidores, a esfiha deve ser entregue em no máximo 28 minutos e a pizza em, no máximo, meia hora.

O carro deve chegar a 300 Km por hora, ainda que ele só fique parado no trânsito, o computador deve se iniciar em alguns segundos, os outros idiomas devem ser aprendidos em poucos meses.

O tempo é a maior vítima da sociedade moderna. Quando ele se tornou dinheiro ele perdeu seu valor. Todos passam a maior parte dele torcendo para que ele passe logo.

São frações da vida que nos interessam: o fim-de-semana que não representa nem 1/3 da semana, o encontro com a(o) namorada(o) que ocorre às pressas entre uma futilidade ou outra, o futebol, o churrasco com os amigos ou, simplesmente, queremos encontrar o tempo para poder matá-lo, ainda que o justo assassinato seja cometido com crise de consciência.

 

O resto do tempo é dinheiro, não tem valor, é quase um transe.

 

Na lógica onde tudo é obsoleto, o tempo deve passar rápido para que as MERcaDoriAS envelheçam e possam ser substituídas por outras.

 

Com exceção do trânsito e do trasporte coletivo de São Paulo, que só funcionam nas esquizofrênicas propagandas do Governo do Estado, tudo é rápido.

 

Até o amor entrou na lógica do fast-food.

 

Assistia à chamada da novela nova da Globo e o narrador dizia que a personagem “X” vivida pelo ator José Mayer tinha se separado da mulher e agora estava vivendo um novo amor, na cena ele se apresentava para uma mulher... ou seja, na apresentação ele já estava amando.

O amor deve ser colocado em água fervendo e deve ficar pronto para ser consumido em 3 minutos no máximo ou você recebe seu dinheiro de volta, tal qual acontece com os iogurtes que devem ajudar a gente a cagar mais e melhor.

Paixões, atrações sexuais ou afinidades já são chamadas de amor imediatamente, pois quem não ama está doente. Como ninguém quer ser doente em uma sociedade que (em)prega saúde o tempo todo, todos devem dizer que amam, consumir o máximo em nome desse amor e reduzir todos os problemas da sua vida e da sociedade à sua situação afetiva.

Os orkuts são repletos de depoimentos com vários eu-te-amos, seja entre amigos, seja entre casais.

Não há mais a necessidade de preparar o amor, de temperá-lo com história e convivência tal qual os pratos feitos pela mãe de meu amigo Caio que levam dias para ficarem prontos, em um processo de calma depuração.

O tempo virando dinheiro deixou de ser “o melhor remédio” para as cicatrizes da alma e até para as do corpo, tal qual o consideravam nossos avós. O que cura hoje é a substituição, como se os obstáculos da vida e os relacionamentos fossem como os aparelhos celulares que perdemos aos montes, com o consolo de que, comprando um mais moderno, seremos mais completos.

O luto morreu e ninguém compareceu ao seu velório por falta de tempo.

Temos muita vontade de amar, mas, aparentemente, pouca ou nenhuma capacidade se formos ver o quão fast-food as relações têm se tornado, seja no âmbito conjugal explorado pela tira acima, seja nos outros âmbitos onde dar atenção ao outro significa perder tempo, logo, perder dinheiro, carreira e os outros itens da "ascensão" social.

Nesta corrida de obstáculos, onde a chegada é o sucesso individual e os semelhantes são as barreiras a serem superadas e que diminuem nossa performance, há pouco espaço para uma boa degustação, por isso os insípidos e facilmente substituíveis e reproduzíveis fast-loves, digo, fast-foods são tão lucrativos.

Talvez preocupado com a banalização do Amor, Drummond escreveu:

O seu santo nome

Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.


PS1: O Gandhi dizia que o amor de 1 anula o ódio de milhões...

PS2: o título da tira "Amor nos Tempos da Pressa" é inspirado no título de um livro do escritor Gabriel Garcia Marquez chamado "Amor nos Tempos do Cólera" o qual retrata um amor que resite a uma série desencontros da vida. Esse livro virou um bom filme inclusive.

 

Atualização: Fui informado que a personagem de José Maier já está traindo a mulher que ele tanto amou, ainda que só a estivesse conhecendo... "Amor nos Tempos de Novelas".



Escrito por Thiago Esperandio às 19h14
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O que a imprensa brasileira não fala...

Saiu na BBC:

Brasil é líder no combate à fome entre emergentes, diz ONG

Menino se alimentando

O documento elogia os esforços do governo brasileiro

O Brasil é líder no combate à fome entre os países em desenvolvimento, de acordo com um ranking elaborado pela ONG antipobreza Action Aid e publicado nesta sexta-feira para marcar o Dia Mundial da Alimentação.

O documento elogia os esforços do governo brasileiro em adotar programas sociais para lidar com o problema da fome no país e destaca os programas Bolsa Família e Fome Zero.

“O Fome Zero lançou um pacote impressionante de políticas para lidar com a fome – incluindo transferências de dinheiro, bancos de alimentação e cozinhas comunitárias. O projeto atingiu mais de 44 milhões de brasileiros famintos”, diz o texto.

Segundo o relatório, o programa ainda ajudou a reduzir a subnutrição infantil em 73%.

A ONG afirma ainda que o Brasil é “exemplar” no exercício do direito ao alimento e cita a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan 2006) e o Ministério do Combate à Fome como medidas de que exemplificam que o direito à alimentação está sendo cada vez mais reconhecido como direito fundamental.

 

Uma imprensa que ignora isso e quer a volta ao poder dos que lá estiveram e nada fizeram pelo povo, merece um completo desprezo.

 

Quem quiser ler a íntegra da notícia é só clicar aqui.



Escrito por Thiago Esperandio às 14h27
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Consumir ou sumir.

Os textos do Frei Betto são sempre profundos e didátcos... não tenho nem o que acrescentar nem o que tirar, só fazer minhas as palavras dele.

Quem quiser conferir uma série de textos dele é só clicar em: http://www.correiocidadania.com.br/content/blogcategory/17/55/

 

Dia da criança: cidadã ou consumista?       

 

Na próxima segunda, 12 de outubro, comemora-se o Dia da Criança. Momento de refletir o que temos feito com as nossas. Estamos formando futuros cidadãos ou consumistas?

 

Pesquisas indicam que as crianças brasileiras costumam passar 4 horas por dia na escola e o dobro de olho na TV. Impressiona o número de peças publicitárias destinadas a crianças ou que as utilizam como isca de consumo.

 

A pesquisadora Susan Linn, da Universidade de Harvard, constatou que o excesso de publicidade causa nas crianças distúrbios comportamentais e nutricionais. De obesidade precoce, pela ingestão de alimentos ricos em açúcares ou gorduras saturadas, como refrigerantes e frituras, à anorexia provocada pela obsessão da magreza digna de passarela.

 

Sexualidade precoce e desajustes familiares são outros efeitos da excessiva exposição à publicidade. São menos felizes, constatou a pesquisadora, as crianças influenciadas pelas idéias de que sexo independe de amor, a estética do corpo predomina sobre os sentimentos, a felicidade reside na posse de bens materiais.

 

Impregnada desses falsos valores, tão divulgados como absolutos, a criança exacerba suas expectativas. Ora, sabemos todos que o tombo é proporcional ao tamanho da queda. Se uma criança associa a sua felicidade a propostas consumistas, tanto maior será sua frustração e infelicidade, seja pela impossibilidade de saciar o desejo, seja pela incapacidade de cultivar sua auto-estima a partir de valores enraizados em sua subjetividade. Torna-se, assim, uma criança rebelde, geniosa, impositiva, indisciplinada em casa e na escola.

 

A praga do consumismo é, hoje, também uma questão ambiental e política. Montanhas de plástico se acumulam nos oceanos e a incontinência do desejo dificulta cada vez mais uma sociedade sustentável, na qual os bens da Terra e os frutos do trabalho humano sejam partilhados entre todos.

 

Um dos fatores de deformação infantil é a desagregação do núcleo familiar. No Dia dos Pais um garoto suplicou ao pai, em bilhete, que desse a ele tanta atenção quanto dedica à TV... Um filho de pais separados pediu para morar com os avós após presenciar a discussão dos pais de que, um e outro, queriam se ver livre dele no fim de semana.

 

Causa-me horror o orgulho de pais que exibem seus filhos em concursos de beleza. Uma criança instigada a, precocemente, prestar demasiada atenção ao próprio corpo tende à esquizofrenia de ser biologicamente infantil e psicologicamente "adulta". Encurta-se, assim, seu tempo de infância. A fantasia, própria da idade, é transferida à TV e ao apelo de consumo. Não surpreende, pois, que na adolescência o vazio do coração busque compensação na ingestão de drogas.


Crianças são seres miméticos por natureza. A melhor maneira de interessar um bebê em música é colocá-lo ao lado de outro que já tenha familiaridade com um instrumento musical. Ora, o que esperar de uma criança que presencia os pais humilharem a faxineira, tratarem garçons com prepotência, xingarem motoristas no trânsito, jogarem lixo na rua, passarem a noite se deliciando com futilidades televisivas?

 

Criança precisa de afeto, de sentir-se valorizada e acolhida, mas também de disciplina e, ao romper o código de conduta, de punição sem violência física ou oral. Só assim aprenderá a conhecer os próprios limites e respeitar os direitos do outro. Só assim evitará tornar-se um adulto invejoso, competitivo, rancoroso, pois saberá não confundir diferença com divergência e não fará da dessemelhança fator de preconceito e discriminação.

 

É preciso conversar com elas, através da linguagem adequada, sobre situações-limites da vida: dor, perda, ruptura afetiva, fracasso, morte. Incutir nelas o respeito aos mais pobres e a indignação frente à injustiça que causa pobreza; senso de responsabilidade social (há dias vi alunos de uma escola varrendo a rua), de preservação ambiental (como a economia de água), de protagonismo político (saber acatar decisão da maioria e inteirar-se do que significam os períodos eleitorais).

 

Se você adora passear com seu filho em shoppings, não estranhe se, no futuro, ele se tornar um adulto ressentido por não possuir tantos bens finitos. Se você, porém, incutir nele apreço aos bens infinitos – generosidade, solidariedade, espiritualidade – ele se tornará uma pessoa feliz e, quando adulto, será seu companheiro de amizade, e não o eterno filho-problema a lhe causar tanta aflição.

 

Saber educar é saber amar.

Frei Betto é escritor, autor de "A arte de semear estrelas" (Rocco), entre outros livros.



Escrito por Thiago Esperandio às 17h09
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Mercedes Sosa

É triste a morte da cantora Mercedes Sosa.

A morte, ainda que inevitável, nos traz sempre a tristeza da perda. A morte de alguém que dizia tanto à humanidade é mais sentida ainda em tempos tão desumanizados como os nossos.

 

No ano passado ela esteve no Brasil e acabei não indo ao show dela. Mercedes morreu com 74 anos, mas já tinha a saúde debilitada havia um tempo. Vi imagens do show dela no Brasil e ela estava extremamente gorda e cantando sentada.

Tinha o biotipo das Índias dos Andes no cabelo grosso e liso e nos traços do rosto.

Embora os Andes tenham se dividido politicamente em vários países, não há uma divisão tão nítida do ponto de vista cultural desde o Norte de Argentina e Chile até o Equador e por aí vai. A língua Quechua é falada pelos ascendentes dos índios e a sonoridade é bem comum: As flautas, uma espécie de guitarra certamente herdada dos espanhóis e as percussões, etc...

Mercedes teve engajamento político, interpretando músicas de compositores perseguidos pelas ditaduras militares latino-americanas.

Falava sempre na unidade do continente americano e, em sua sonoridade, fazia de fato essa união.

 

É fácil baixar suas músicas e ver suas imagens no youtube.

Músicas maravilhosas como Todo Cambia, Duerme Negrito, Como la Cigarra, Gracias a la Vida, Solo le Pido a Dios, entre muitas outras, e parcerias com Brasileiros como Fagner em Años e Milton Nascimento em Sueño con Serpientes (com direito a um texto do Brecht recitado) e Volver a los 17 são clássicos imperdíveis que devem ser acompanhados da leitura da letra para que nada nos escape.

 



Escrito por Thiago Esperandio às 12h43
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O que é bom para poucos é ruim para muitos...

Reproduzo na íntegra um artigo tirado do Blog do Emir Sader:

 

A mídia mercantil (melhor do que privada) tem um critério: o que for bom para o Lula, deve ser propagado como ruim para o Brasil. A reunião de mandatários sulamericanos em Bariloche – que o povo brasileiro não pôde ver, salvo pela Telesul, e teve que aceitar as versões da mídia – foi julgada não na perspectiva de um acordo de paz para a região, mas na ótica de se o Lula saiu fortalecido ou não.

O golpe militar e a ditadura em Honduras (chamados de “governo de fato”, expressão similar à de “ditabranda”) são julgados na ótica não de se ação brasileira favorece o que a comunidade internacional unanimemente pede – o retorno do presidente eleito, Mel Zelaya -, mas de saber se o governo brasileiro e Lula se fortalecem ou não. Danem-se a democracia e o povo hondurenho.

A mesma atitude têm essa mídia comercial e venal diante da possibilidade do Brasil sediar as Olimpíadas. Primeiro, tentaram ridicularizar a proposta brasileira, a audácia destes terceiromundistas de concorrer com Tóquio, com Madri, com Chicago de Obama e Michelle. Depois passaram a centrar as matérias nas supostas irregularidades que se cometeriam com os recursos, quando viram – mesmo sem destacar nos seus noticiários – que o Rio tinha passado de azarão e um dos favoritos, graças à excelente apresentação da proposta e ao apoio total do governo. Agora se preparam para, caso o Rio de Janeiro não seja escolhido, anunciar que se gastou muito dinheiro, se viajou muito, para nada. Torcem por Chicago ou outra sede qualquer, que não o Rio, porque acreditam que seria uma vitória de Lula, não do Brasil.

São pequenos, mesquinhos, só vêem pela frente as eleições do ano que vem, quando tentarão ter de novo um governo com que voltarão a ter as relações promíscuas que sempre tiveram com os governos, especialmente com os 8 anos de FHC. Não existe o Brasil, só os interesses menores, de que fazem parte as 4 famílias – Frias, Marinho, Civitas, Mesquita – que pretendem falar em nome do povo brasileiro.

O povo brasileiro vive melhor com as políticas sociais do governo Lula? Danem-se as condições de vida do povo. Interessa a popularidade que isso dá ao governo Lula e as dificuldades que representa para uma eventual vitória da oposição. A imagem do Brasil no exterior nunca foi melhor? A mídia ranzinza e agourenta não reflete isso, porque representa também a extraordinária imagem de Lula pelo mundo afora, em contraposição à de FHC, e isto é bom para o Brasil, mas ruim para a oposição.

O que querem para o Brasil? Um Estado fraco, frágil diante das investidas do capital especulativo internacional, que provocou três crises no governo FHC? Um país sem defesa ou dependente do armamento norteamericano, como ocorreu sempre? Menos gastos sociais e menos impostos para ter menos políticas sociais e menos direitos do povo atendidos? Um povo sem auto estima, envergonhado de viver em um país que eles pintam como um país fracassado, com complexo de inferioridade diante das “potências”, que provocaram a maior crise econômica mundial em 80 anos, que é superada pelos países emergentes, enquanto eles seguem na recessão?

São expressões das elites brancas, ricas, de setores da classe média alta egoísta, que odeia o povo e o Brasil e odeia Lula por isso. Adoram quem se opõem a Lula – Heloísa Helena, Marina, Micheletti -, não importa o que digam e representem. Sua obsessão é derrotar Lula nas eleições de 2010. O resto, que se dane: o povo brasileiro, o país, a situação de vida da população pobre, da imagem do país no mundo, da economia e do desenvolvimento econômico do Brasil.

O que é bom para o Lula é ruim para eles e tentam fazer passar que é ruim para o Brasil. É ruim para eles, as minorias, os 5% de rejeição do governo, mas é muito bom para os 82% de apoio ao Lula.



Escrito por Thiago Esperandio às 13h40
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