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Matar o tempo

O macarrão fica pronto em 3 minutos, a pipoca é quase instantânea, o Hamburguer fica na estufa te esperando e deve ser consumido em no máximo 10 minutos para que apodreça dentro do seu organismo e não à vista e ao olfato dos outros consumidores, a esfiha deve ser entregue em no máximo 28 minutos e a pizza em, no máximo, meia hora. O carro deve chegar a 300 Km por hora, ainda que ele só fique parado no trânsito, o computador deve se iniciar em alguns segundos, os outros idiomas devem ser aprendidos em poucos meses. O tempo é a maior vítima da sociedade moderna. Quando ele se tornou dinheiro ele perdeu seu valor. Todos passam a maior parte dele torcendo para que ele passe logo. São frações da vida que nos interessam: o fim-de-semana que não representa nem 1/3 da semana, o encontro com a(o) namorada(o) que ocorre às pressas entre uma futilidade ou outra, o futebol, o churrasco com os amigos ou, simplesmente, queremos encontrar o tempo para poder matá-lo, ainda que o justo assassinato seja cometido com crise de consciência. O resto do tempo é dinheiro, não tem valor, é quase um transe. Na lógica onde tudo é obsoleto, o tempo deve passar rápido para que as MERcaDoriAS envelheçam e possam ser substituídas por outras. Com exceção do trânsito e do trasporte coletivo de São Paulo, que só funcionam nas esquizofrênicas propagandas do Governo do Estado, tudo é rápido. Até o amor entrou na lógica do fast-food. Assistia à chamada da novela nova da Globo e o narrador dizia que a personagem “X” vivida pelo ator José Mayer tinha se separado da mulher e agora estava vivendo um novo amor, na cena ele se apresentava para uma mulher... ou seja, na apresentação ele já estava amando. O amor deve ser colocado em água fervendo e deve ficar pronto para ser consumido em 3 minutos no máximo ou você recebe seu dinheiro de volta, tal qual acontece com os iogurtes que devem ajudar a gente a cagar mais e melhor. Paixões, atrações sexuais ou afinidades já são chamadas de amor imediatamente, pois quem não ama está doente. Como ninguém quer ser doente em uma sociedade que (em)prega saúde o tempo todo, todos devem dizer que amam, consumir o máximo em nome desse amor e reduzir todos os problemas da sua vida e da sociedade à sua situação afetiva. Os orkuts são repletos de depoimentos com vários eu-te-amos, seja entre amigos, seja entre casais. Não há mais a necessidade de preparar o amor, de temperá-lo com história e convivência tal qual os pratos feitos pela mãe de meu amigo Caio que levam dias para ficarem prontos, em um processo de calma depuração. O tempo virando dinheiro deixou de ser “o melhor remédio” para as cicatrizes da alma e até para as do corpo, tal qual o consideravam nossos avós. O que cura hoje é a substituição, como se os obstáculos da vida e os relacionamentos fossem como os aparelhos celulares que perdemos aos montes, com o consolo de que, comprando um mais moderno, seremos mais completos. O luto morreu e ninguém compareceu ao seu velório por falta de tempo. Temos muita vontade de amar, mas, aparentemente, pouca ou nenhuma capacidade se formos ver o quão fast-food as relações têm se tornado, seja no âmbito conjugal explorado pela tira acima, seja nos outros âmbitos onde dar atenção ao outro significa perder tempo, logo, perder dinheiro, carreira e os outros itens da "ascensão" social. Nesta corrida de obstáculos, onde a chegada é o sucesso individual e os semelhantes são as barreiras a serem superadas e que diminuem nossa performance, há pouco espaço para uma boa degustação, por isso os insípidos e facilmente substituíveis e reproduzíveis fast-loves, digo, fast-foods são tão lucrativos. Talvez preocupado com a banalização do Amor, Drummond escreveu: O seu santo nome Não facilite com a palavra amor. Não a jogue no espaço, bolha de sabão. Não se inebrie com o seu engalanado som. Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro). Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra. Não a pronuncie.
PS1: O Gandhi dizia que o amor de 1 anula o ódio de milhões... PS2: o título da tira "Amor nos Tempos da Pressa" é inspirado no título de um livro do escritor Gabriel Garcia Marquez chamado "Amor nos Tempos do Cólera" o qual retrata um amor que resite a uma série desencontros da vida. Esse livro virou um bom filme inclusive. Atualização: Fui informado que a personagem de José Maier já está traindo a mulher que ele tanto amou, ainda que só a estivesse conhecendo... "Amor nos Tempos de Novelas".
Escrito por Thiago Esperandio às 19h14
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O que a imprensa brasileira não fala...
Saiu na BBC: Brasil é líder no combate à fome entre emergentes, diz ONG O documento elogia os esforços do governo brasileiro O Brasil é líder no combate à fome entre os países em desenvolvimento, de acordo com um ranking elaborado pela ONG antipobreza Action Aid e publicado nesta sexta-feira para marcar o Dia Mundial da Alimentação. O documento elogia os esforços do governo brasileiro em adotar programas sociais para lidar com o problema da fome no país e destaca os programas Bolsa Família e Fome Zero. “O Fome Zero lançou um pacote impressionante de políticas para lidar com a fome – incluindo transferências de dinheiro, bancos de alimentação e cozinhas comunitárias. O projeto atingiu mais de 44 milhões de brasileiros famintos”, diz o texto. Segundo o relatório, o programa ainda ajudou a reduzir a subnutrição infantil em 73%. A ONG afirma ainda que o Brasil é “exemplar” no exercício do direito ao alimento e cita a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan 2006) e o Ministério do Combate à Fome como medidas de que exemplificam que o direito à alimentação está sendo cada vez mais reconhecido como direito fundamental. Uma imprensa que ignora isso e quer a volta ao poder dos que lá estiveram e nada fizeram pelo povo, merece um completo desprezo. Quem quiser ler a íntegra da notícia é só clicar aqui.
Escrito por Thiago Esperandio às 14h27
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Consumir ou sumir.
Os textos do Frei Betto são sempre profundos e didátcos... não tenho nem o que acrescentar nem o que tirar, só fazer minhas as palavras dele. Quem quiser conferir uma série de textos dele é só clicar em: http://www.correiocidadania.com.br/content/blogcategory/17/55/ Dia da criança: cidadã ou consumista?
Na próxima segunda, 12 de outubro, comemora-se o Dia da Criança. Momento de refletir o que temos feito com as nossas. Estamos formando futuros cidadãos ou consumistas?
Pesquisas indicam que as crianças brasileiras costumam passar 4 horas por dia na escola e o dobro de olho na TV. Impressiona o número de peças publicitárias destinadas a crianças ou que as utilizam como isca de consumo.
A pesquisadora Susan Linn, da Universidade de Harvard, constatou que o excesso de publicidade causa nas crianças distúrbios comportamentais e nutricionais. De obesidade precoce, pela ingestão de alimentos ricos em açúcares ou gorduras saturadas, como refrigerantes e frituras, à anorexia provocada pela obsessão da magreza digna de passarela.
Sexualidade precoce e desajustes familiares são outros efeitos da excessiva exposição à publicidade. São menos felizes, constatou a pesquisadora, as crianças influenciadas pelas idéias de que sexo independe de amor, a estética do corpo predomina sobre os sentimentos, a felicidade reside na posse de bens materiais.
Impregnada desses falsos valores, tão divulgados como absolutos, a criança exacerba suas expectativas. Ora, sabemos todos que o tombo é proporcional ao tamanho da queda. Se uma criança associa a sua felicidade a propostas consumistas, tanto maior será sua frustração e infelicidade, seja pela impossibilidade de saciar o desejo, seja pela incapacidade de cultivar sua auto-estima a partir de valores enraizados em sua subjetividade. Torna-se, assim, uma criança rebelde, geniosa, impositiva, indisciplinada em casa e na escola.
A praga do consumismo é, hoje, também uma questão ambiental e política. Montanhas de plástico se acumulam nos oceanos e a incontinência do desejo dificulta cada vez mais uma sociedade sustentável, na qual os bens da Terra e os frutos do trabalho humano sejam partilhados entre todos.
Um dos fatores de deformação infantil é a desagregação do núcleo familiar. No Dia dos Pais um garoto suplicou ao pai, em bilhete, que desse a ele tanta atenção quanto dedica à TV... Um filho de pais separados pediu para morar com os avós após presenciar a discussão dos pais de que, um e outro, queriam se ver livre dele no fim de semana.
Causa-me horror o orgulho de pais que exibem seus filhos em concursos de beleza. Uma criança instigada a, precocemente, prestar demasiada atenção ao próprio corpo tende à esquizofrenia de ser biologicamente infantil e psicologicamente "adulta". Encurta-se, assim, seu tempo de infância. A fantasia, própria da idade, é transferida à TV e ao apelo de consumo. Não surpreende, pois, que na adolescência o vazio do coração busque compensação na ingestão de drogas.
Crianças são seres miméticos por natureza. A melhor maneira de interessar um bebê em música é colocá-lo ao lado de outro que já tenha familiaridade com um instrumento musical. Ora, o que esperar de uma criança que presencia os pais humilharem a faxineira, tratarem garçons com prepotência, xingarem motoristas no trânsito, jogarem lixo na rua, passarem a noite se deliciando com futilidades televisivas?
Criança precisa de afeto, de sentir-se valorizada e acolhida, mas também de disciplina e, ao romper o código de conduta, de punição sem violência física ou oral. Só assim aprenderá a conhecer os próprios limites e respeitar os direitos do outro. Só assim evitará tornar-se um adulto invejoso, competitivo, rancoroso, pois saberá não confundir diferença com divergência e não fará da dessemelhança fator de preconceito e discriminação.
É preciso conversar com elas, através da linguagem adequada, sobre situações-limites da vida: dor, perda, ruptura afetiva, fracasso, morte. Incutir nelas o respeito aos mais pobres e a indignação frente à injustiça que causa pobreza; senso de responsabilidade social (há dias vi alunos de uma escola varrendo a rua), de preservação ambiental (como a economia de água), de protagonismo político (saber acatar decisão da maioria e inteirar-se do que significam os períodos eleitorais).
Se você adora passear com seu filho em shoppings, não estranhe se, no futuro, ele se tornar um adulto ressentido por não possuir tantos bens finitos. Se você, porém, incutir nele apreço aos bens infinitos – generosidade, solidariedade, espiritualidade – ele se tornará uma pessoa feliz e, quando adulto, será seu companheiro de amizade, e não o eterno filho-problema a lhe causar tanta aflição.
Saber educar é saber amar.
Frei Betto é escritor, autor de "A arte de semear estrelas" (Rocco), entre outros livros.
Escrito por Thiago Esperandio às 17h09
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