Mercedes Sosa
É triste a morte da cantora Mercedes Sosa. A morte, ainda que inevitável, nos traz sempre a tristeza da perda. A morte de alguém que dizia tanto à humanidade é mais sentida ainda em tempos tão desumanizados como os nossos. No ano passado ela esteve no Brasil e acabei não indo ao show dela. Mercedes morreu com 74 anos, mas já tinha a saúde debilitada havia um tempo. Vi imagens do show dela no Brasil e ela estava extremamente gorda e cantando sentada. Tinha o biotipo das Índias dos Andes no cabelo grosso e liso e nos traços do rosto. Embora os Andes tenham se dividido politicamente em vários países, não há uma divisão tão nítida do ponto de vista cultural desde o Norte de Argentina e Chile até o Equador e por aí vai. A língua Quechua é falada pelos ascendentes dos índios e a sonoridade é bem comum: As flautas, uma espécie de guitarra certamente herdada dos espanhóis e as percussões, etc... Mercedes teve engajamento político, interpretando músicas de compositores perseguidos pelas ditaduras militares latino-americanas. Falava sempre na unidade do continente americano e, em sua sonoridade, fazia de fato essa união. É fácil baixar suas músicas e ver suas imagens no youtube. Músicas maravilhosas como Todo Cambia, Duerme Negrito, Como la Cigarra, Gracias a la Vida, Solo le Pido a Dios, entre muitas outras, e parcerias com Brasileiros como Fagner em Años e Milton Nascimento em Sueño con Serpientes (com direito a um texto do Brecht recitado) e Volver a los 17 são clássicos imperdíveis que devem ser acompanhados da leitura da letra para que nada nos escape.
Escrito por Thiago Esperandio às 12h43
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