Senso do Humor
O humor é tido por muitos como uma linguagem de resistência. Nas sociedades mais opressoras (nas mais explícitas, principalmente...) como nas ditaduras, sejam políticas ou religiosas, os humoristas sempre foram perseguidos pois da aparente inocência de uma piada, muita crítica pode ser feita.
Na Idade Média, o humor era uma válvula de escape para a sociedade tão verticalizada nas suas hierarquias, o mesmo acontecia no renascimento com o alto poder adquirido pelos reis que eram motivos de piadas. O humor, durante um bom período, foi a arma dos oprimidos.
No entanto, na natureza tudo tem seus dois lados. O Sol não escolhe a quem iluminar e a primavera não escolhe jardim. As Ervas Daninhas também são alimentadas pela natureza, que não distingue caráter.
Com o humor ocorre o mesmo e nada o impede de falar de coisas relevantes ou de usar sua face aparentemente caótica e contestadora para servir ao que há de mais conservador e reacionário.
Exemplo disso é o programa CQC. O programa da Band nesta última segunda-feira estava uma passarela de tucanos. Primeiro perguntaram ao Serra se, caso ele ganhasse a eleição, o nome do filme seria O Massacre do Serra Elétrico, depois fizeram o Alckimin cantar “Os alquimstas estão chegando” (Pobre Jorge Ben) diante das últimas pesquisas ao governo paulista. Depois o Apresentador da Taz(mânia) falou que o Lula não tem diploma. É comum no humorismo, Lula ser chamado de bêbado e ignorante.
Ou seja, todo o discurso que a direita não pode fazer, pois é politicamente incorreto, é transferido em forma de um suposto humorismo. O Humor passa a ser uma roupa que ameniza a nudez do preconceito, do racismo, do ódio de classe, etc...
Dito em tom de brincadeira, uma distorção da informação passa a parecer perdoável...
É só notar como tratam o assunto Sarney de forma superficial e tola. Deveriam perguntar aos senadores tucanos e demos por que eles votaram no Sarney e se eles não se envergonham em torcer pelo fracasso do país para que possam voltar ao poder e terminar de enterrá-lo, no entanto abrem seus microfones para que eles fiquem se fazendo de indignados e de éticos. O PT tinha seu candidato próprio para o senado, portanto quem elegeu Sarney foram os demos e os tucanos, que inclusive têm a vice-presidência da casa (só por isso estão contra o "Sarneynto").
Do outro lado, a classe média que almeja ser elite, por isso se humilha com a esperança de que um dia possa de fato humilhar alguém, ou se contenta em humilhar os que têm um pouco menos, assiste ao programa que ambiguamente alega ser jornalístico e se sente informada, sente que do outro lado há pessoas cultas que lhe proporcionam um álibi para extravazar seu ódio e seu preconceito, sem que isso pareça ser o que é (ódio e preconceito contra o Nordestino).
Pago pelos anunciantes, o CQC mantém a linha editorial golpista da emissora em que está, só que em um nível ainda mais baixo.
A única verdade ali é o nome do programa: Custe o Que Custar... poderia ser Custe Quanto Custar também...
Escrito por Thiago Esperandio às 19h48
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