Thiago Esperandio / Mundo vasto Mundo


Comunicação em Debate

Debate entre Paulo Henrique Amorim e Fábio Konder Comparato promove publicação de pesquisa sobre Panorama da Comunicação e das Telecomunicações


Por Thiago Esperandio


Um debate sobre o Panorama da Comunicação e das Telecomunicações no Brasil, realizado no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, nesta terça-feira (11/01), promoveu a publicação de uma pesquisa do IPEA (Institutos de Pesquisa Econômica Aplicadas) sobre este tema. A publicação dividida em três livros faz um balanço histórico da Indústria da Comunicação no Brasil e dos desafios, para esta importante área social, trazidos pelas novas tecnologias, já no presente e também no futuro.

Para saber mais sobre a publicação IPEA e fazer o download da pesquisa, acesse o site do IPEA


Participaram do evento o presidente e o assessor de comunicação do IPEA, Marcio Pochmann e Daniel Castro, além do Presidente do Sindicato dos Jornalistas, José Augusto de Camargo, o jornalista Paulo Henrique Amorim e o professor Fábio Konder Comparato.

Pochmann e Castro

Márcio Pochmann e Daniel Castro chamaram a atenção para a importância desta pesquisa fazendo uma contextualização do panorama atual das comunicações e das telecomunicações no mundo globalizado.

Pochmann ressaltou a mudança socioeconômica pela qual passa o mundo, com a descentralização do poderio econômico, que deixa de ter somente os Estados Unidos como centro dinâmico e passa a contar com a presença de vários atores, entre eles os chamados BRICs (Brasil, Rússia, India e China). Segundo o presidente do IPEA, o Brasil precisa aproveitar esta oportunidade, para isso, é necessário rever a questão das comunicações e das telecomunicações no país.

Márcio Pochmann criticou a ordem econômica mundial a qual acusou de concentrar excessivamente o capital no setor privado. Para ele, essa questão afeta negativamente o acesso e a pluralidade da informação no Brasil e deve ser uma questão discutida no país.

O presidente do IPEA também mencionou importantes mudanças que a tecnologia tem trazido para o nosso cotidiano, entre elas, a mudança da produção do trabalho de artigos materiais para imateriais; o aumento da exploração do trabalho através das novas tecnologias como tablets, smartphones, notebooks e outros que deixam o trabalhador conectado ao trabalho, mesmo além de seu ambiente e de seu horário formal.

PHA

Em seguida, foi a vez de Paulo Henrique Amorim falar. Ele defendeu a aprovação de uma lei que regule os meios de comunicação no Brasil, nos moldes da Ley de Medios recentemente aprovada na Argentina. 

Paulo Henrique convocou todos a pressionarem o, recém nomeado, Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a "não temer a Rede Globo" e fazer uma lei, que, de fato democratize os meios de comunicação.

Em sua fala, o jornalista quis deixar claro que "discutir comunicação não é censurar o PIG". Em seu site Conversa Afiada, Paulo Henrique Amorim sempre se refere à imprensa tradicional como PIG, sigla que significa Partido da Imprensa Golpista.

Este argumento foi ao encontro da fala do Professor Comparato que "deu uma aula" aos participantes.

PROFESSOR COMPARATO

Em seu primeiro argumento, o professor citou o filósofo Karl Marx, alegando que, todos aqueles que aspiram o poder, falam dos interesses de sua classe, como se fossem interesses de todos.

Com isso, fez uma distinção entre regulação da mídia e cerceamento da liberdade de expressão, argumento usado pelos grandes conglomerados de comunicação no Brasil quando se fala em regular o setor.

Comparato colocou o sistema capitalista como o grande responsável por vários dos desvios encontrados atualmente no uso das comunicações em todo o Mundo. Citou que atualmente a Rede Globo tem 442 empresas em seu poder, criticou esta concentração de capital como sendo maléfica à pluralidade de informação. Afirmou também que, no Brasil, a concentração da comunicação em conglomerados econômicos é ainda maior do que nos Estados Unidos.

Desprivatizar a Comunicação

"É preciso desprivatizar a comunicação Social" disse o professor.

Comparato defendeu que, no futuro, seja criado um marco civil nas comunicações que entregue a imprensa somente para entidades sem fins lucrativos. 

O professor lembrou que, de acordo com a constituição brasileira, Rádio e TV devem ser serviços públicos. Embora ambos possam, por lei, ser geridos através de concessões, o professor criticou a exploração exclusivamente comercial que se tem feito por algumas empresas destes meios e defendeu a aplicação de algumas leis que já existem na constituição brasileira:

Aplicação de Leis

Lei que assegura o direito de resposta. Para Comparato, a revogação da lei de imprensa ocorrida recentemente, fragilizou a aplicação deste direito

Lei que permita às pessoas se protegerem de propagandas de produtos nocivos à saúde ou ao meio ambiente. (Recentemente a ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - venceu uma ação judicial pedindo a proibição de propagandas de produtos com alto teor de açucares, mas, uma liminar revogou temporariamente a vitória judicial)

Lei que proíba os Meios de Comunicação de pertencerem a Monopólios ou Oligopólios comerciais.

Por fim, a garantia da aplicação das leis que exigem aos proprietários de concessões públicas de Rádio e TV que tenham em sua programação, programas predominantemente educativos, culturais, com produções nacionais, regionalizadas, entre outras...

O professor Comparato terminou sua fala clamando: "Viva o povo brasileiro!!"



Escrito por Thiago Esperandio às 13h36
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Um texto do professor Wladmir Safatle publicado na Folha fala da Liberdade de Expressão, tão clamada por todos, entre eles, os que realmente querem pluralidade na comunicação e os que simplesmente usam o termo "liberdade de expressão" para poder disseminar preconceitos, calúnias, vender porcarias para crianças em propagandas, etc...

O professor Safatle toca em um ponto crucial: Até que ponto é livre alguém que é atacado pela miséria?

Para erradicar a miséria, cerceadora de liberdades, o professor mostra como Hegel defendia a ação do Estado como um regulador da selvageria do mercado. Para o mercado, só o lucro é livre e só ele importa.

O texto serve ao eleitor tucano que abomina o Estado e reclama como se fosse vítima da violência, gerada muitas vezes pela miséria, fruto de seu egoísmo.

Segue o texto na íntegra:

VLADIMIR SAFATLE

Hegel e nós

Uma das ideias mais atuais de Hegel diz respeito ao conceito de liberdade.
Ela consiste em lembrar que toda discussão sobre liberdade é inócua se não começar por responder quais condições sociais são necessárias para que uma vida livre possa ganhar realidade.


Um exemplo interessante já fornecido por Hegel dizia respeito à tendência, no interior das sociedades de livre mercado, de pauperização de largas camadas da população devido à concentração de riquezas. Já no começo do século 19, um pensador da envergadura de Hegel não se espantaria se descobrisse que, enquanto o PIB norte-americano por habitante cresceu 36% entre 1973 e 1995, o salário horário de não-executivos abaixou em 14%.


O paradoxo de sociedades que produzem cada vez mais riquezas enquanto tendem a concentrar sua circulação não vem de hoje.
Para Hegel, este não era um problema de "justiça social", mas sim de condições de efetivação da liberdade. Não é possível ser livre sendo miserável. Livres escolhas são radicalmente limitadas na pobreza e, por consequência, na subserviência social. Posso ter a ilusão de que, mesmo com restrições, continuo a pensar livremente, a deliberar a partir de meu livre-arbítrio individual.

Um pouco como o estoico Epiteto, que dizia ser livre mesmo sendo escravo. No entanto, uma liberdade que se reduziu à condição de puro pensamento é simplesmente inefetiva. Ela determina em muito pouco as motivações para o nosso agir.

Assim, uma questão fundamental para a realização da liberdade estava ligada à constituição de um Estado com forte capacidade tributária. Estado capaz de, com isso, diminuir as tendências de concentração de riqueza e de pauperização, como já vimos em outros momentos da história.

Isso permitia a Hegel lembrar que a defesa da liberdade não passava pela crença liberal da redução do Estado a simples ator responsável pela segurança pessoal, assim como pela garantia das propriedades e contratos. Ao contrário, era necessário um ator social capaz de limitar as tendências paradoxais das sociedades civis de livre mercado, quebrando o puro interesse dos particulares.

Mas esta "quebra" e esta "limitação" eram as condições para a realização concreta da liberdade. Pois não se explica o que é liberdade partindo dos sistemas individuais de interesses, embora eles não possam ser simplesmente excluídos. "Liberdade" não é apenas um modo de relação a si, mas também um modo de relação social. Por isto, aqueles para quem o Estado é uma espécie de monstro a limitar as nossas possibilidades de autorrealização talvez não saibam o que dizem.

 



Escrito por Thiago Esperandio às 15h09
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Grandes argumentos que só quem vota Dilma têm.

O professor Ladislau Dowbor escreve um tezto que deveria ser lido por todos. Infelizmente os Jornais não publicarão. Ele explica o porquê de a direita disseminar mentiras constantes sobre aborto, sobre liberdade de expressão cerceada, e tantas outras que recebemos por e-mails.

Segue o texto na íntegra:

 

Semear ódio não ajuda, Prof. Ladislau Dowbor

Outubro de 2010

Há momentos de posições declaradas. E há limites para tudo. Segundo o video de Arnaldo Jabor, está sendo preparada uma ditadura, e os culpados seremos nós, se votarmos na Dilma. Isto com dramático acompanhamento musical, o Jabor parecendo aqueles antigos personagens do Tradição, Família e Propriedade dos anos 1960 anunciando a apocalipse política.

Caso mais sério, segundo a CBN, o futuro governo Dilma seria dirigido pelo José Dirceu, isto dito em tom pausado de reportagem séria. Nos e-mails religiosos aprendo que o futuro governo vai matar criancinhas. Quanto à Veja, não preciso ser informado, pois já a capa mostra um monstruoso polvo que vai nos engolir. E naturalmente, temos o aborto, último reduto da direita, instrumento político de profunda covardia, para quem sabe o que é a indústria do aborto clandestino. Aborto aliás já utilizado na campanha do Collor contra o Lula, anos atrás.

Argumentos patéticos desta mídia podem ser rejeitados como fruto de uma fase histérica de quem quer recuperar o poder a qualquer custo. Mas há uma dimensão que assusta. Muitos dos textos e vídeos exalam e estimulam um ódio doentio. E são produzidos e reproduzidos aos milhões, coisa que as tecnologias modernas permitem. Os grandes grupos da mídia, e em particular as quatro grandes familias que os controlam, não só aderiram de maneira irresponsável à fogueira ideológica, como jogam com gosto lenha e gasolina, ainda que sabendo que se trata de comportamentos vergonhosos em termos éticos, e perigosos em termos sociais. O poder a qualquer custo, vale a pena?

Semear e estimular o ódio é perigoso. Porque com o atual domínio de tecnologias de comunicação, o ódio pode ser espalhado aos grandes ventos, e os órgãos que controlam  a mídia não se privam. Espalhar o ódio pode ser mais fácil do que controlá-lo. O tom da grande mídia se assemelha de forma impressionante aos discursos às vésperas da ditadura. Que aliás foi instalada em nome da proteção da democracia. Fernando Henrique Cardoso, que não teve grandes realizações a apresentar, entregou o governo dizendo que tinha consolidado a democracia. Herança importante. Vale a pena colocá-la em risco?

O governo Lula tem méritos indiscutíveis. Abriu espaço não só para os pobres, mas para todos. À dimensão política da democracia acrescentou a dimensão econômica e social. Tornou evidente para o país que a massa de pobres deste país desigual, é pobre não por falta de iniciativa, mas por falta de oportunidade. E que ao melhorar o seu nível, pelo aumento do salário mínimo, pelo maior acesso à universidade, pelo maior financiamento da agricultura familiar, pelo suporte aos municípios mais pobres, e até por iniciativas tão elementares como o Bolsa Família ou o Luz para Todos, mostrou que esta gente passa a consumir, a estudar, a produzir mais. E com isto gera mercado não só no andar de baixo, mas para todos.

Esta imprensa que tantas manchetes publicou sobre o “aerolula”, hoje sabe que a diversificação do nosso comércio internacional, a redução da dependência relativamente aos Estados Unidos, e a prudente acumulação de reservas internacionais, que passaram de ridículos 30 bilhões em 2002 para 260 bilhões atualmente, nos protegeram da crise financeira internacional. Adquirimos uma soberania de verdade.

E no plano ambiental, só em termos da Amazônia o desmatamento foi reduzido de 28 para 7 mil quilómetros quadrados ao ano. Continua a ser uma tragédia, mas foi um imenso avanço. Realização onde o trabalho de Marina Silva foi importante, sem dúvida, como foi o de Carlos Minc. Mas foi trabalho deste governo, que nomeou na área ambiental realizadores e não ministros decorativos. E a sustentabilidade ambiental não é apenas verde. Os investimentos do PAC nas ferrovias e nos estaleiros são vitais para mudar a nossa matriz de transporte, hoje dependente de caminhões. A construção de casas dignas é política ambiental, que não pode ser dissociada do social. Os investimentos em saneamento do programa Territórios da Cidadania, em cerca de 2 mil municípios, articulam igualmente soluções ambientais e sociais, como o faz o programa Luz para Todos. Tentar dissociar o meio ambiente e o progresso social é um feito real que a direita conseguiu, divide pessoas que batalhavam juntas por um futuro mais decente. Mas é ruim para todos.  

O bom senso indica claramente o caminho da continuidade, equilíbrando as dimensões econômica, social e ambiental. Absorver a dimensão crescente dos desafios ambientais, e expandir as dinâmicas do governo atual articulando os três eixos. Mas discutir isto envolveria uma campanha política em torno de argumentos e programas, onde a direita só tem a oferecer o argumento de que seria mais “competente”. O importante, é saber a serviço de quem seria esta competência.

A continuidade das políticas é vital para o Brasil. O que tem a direita a oferecer? Mais privatizações? Mais concentração de renda? Mais pedágios de diversos tipos? Leiloar o Pre-Sal? A última iniciativa do Serra foi tentar privatizar a Nossa Caixa, felizmente salva pelo governo federal. Como teria sido o Brasil frente à crise sem os bancos públicos? Os jornalistas sabem, mas quando falam, como Maria Rita Kehl, e escrevem o que sabem, são sumariamente demitidos. Que recado isto manda para o jornalismo?

A opção adotada foi bagunçar os argumentos políticos, buscar a desestabilização, assustar as pessoas, semear ódio. Qualquer coisa que tire da eleição a dimensão da racionalidade, da opção cidadã. Porque pela racionalidade, o próprio povo já sabe onde estão os seus interesses, e os resultados são evidentes. O caminho adotado é baixar o nível, sair da cabeça, ir para as tripas. Não o próprio candidato, porque este precisa parecer digno. Mas os esperançosos herdeiros de poder em torno dele, ou a própria família. O ódio que esta gente espalha está aí, palpável. E funciona. A maior vítima desta campanha eleitoral ainda pode ser o resto de credibilidade deste tipo de mídia, e os restos de ilusão sobre este tipo de política.

Eu voto na Dilma com a consciência tranquila. Fiz inúmeras avaliações de governos, profissionalmente, no quadro das Nações Unidas. E fiz a avaliação de políticas sociais do governo de FHC, a pedido de Ruth Cardoso, nas reuniões que tínhamos com pessoas de peso como Gilberto Gil e Zilda Arns. Sem remuneração, e com isenção, como o faço hoje. Eram políticas que nunca se tornaram políticas de governo, porque a base política não permitia que ultrapassassem a dimensão da boa vontade real da primeira dama. A base política do candidato Serra, desde a bancada ruralista até os negociantes das privatizações, é a mesma. E se assumir o vice, como tantas vezes já aconteceu, não será apenas um atraso generalizado para o país, será uma vergonha mundial.  



Escrito por Thiago Esperandio às 11h16
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A Falsa Moral para esconder a verdade

Um artigo do Professor da USP Wladimir Safatle mostr, com muita didática, as razões que levam José Serra a praticar uma campanha atacando o que há de mais moralista e retrógrado na sociedade brasileira. A tática tucana de ganhar a qualquer custo pode custar muito caro ao Brasil. Republico o texto na íntegra, logo abaixo:

 

VLADIMIR SAFATLE

Os números e o futuro


Caso Serra seja eleito, sua aliança terá 115 deputados; será necessário compor com partidos fisiológicos


Desde a Antiguidade, os homens voltam-se aos números para tentar desvendar o futuro. Talvez haja alguma sabedoria neste comportamento. Podemos testá-lo perguntando aos números como será o Brasil depois desta eleição presidencial.
Analisemos a hipótese do candidato oposicionista, José Serra, ganhar. Seu partido conseguiu eleger apenas 53 deputados. Os outros partidos que o apoiam (DEM, PPS, PMN e PT do B) conseguiram 62 deputados. Não se vai muito longe com uma base de 115 deputados em uma Câmara com 513 membros.
Será necessário compor com partidos que fizeram parte da coligação do governo, como PMDB, PP e PR. Partidos conhecidos pelo seu perfil radicalmente fisiológico.
Políticos costumam dizer que não fazem loteamento de cargos, que são capazes de tecer alianças programáticas com os "melhores" de cada partido. Qualquer pessoa sensata, ao contrário, sabe que partidos como estes cobrarão muito alto para dar sustentação parlamentar ao governo, já que eles sabem que a maioria governista será frágil.
Todas as vezes que uma proposta importante for votada, eles colocarão a faca contra a garganta do Executivo para exigir mais um ministério de "porteira fechada".
Ainda mais porque haverá uma forte oposição (se levarmos em conta o PT mais os partidos que giram em torno dele, como o PC do B, PSB e PDT) de 165 deputados.
A situação no Senado é mais dramática, pois o possível governo Serra teria apenas 19 de 81 senadores.
Tais números, por si só, indicariam um governo refém de negociações intermináveis.
No entanto, há ainda um dado novo. É consenso que o vencedor desta eleição ganhará por margem estreita. Isto nunca ocorreu desde a redemocratização. Ou seja, a sociedade brasileira assistiria à posse do próximo presidente dividida e (a levar em conta o nível do debate atual) profundamente acirrada.
Serra teria que fazer frente à oposição popular, vinda de quem perdeu por muito pouco, apelando sistematicamente àqueles setores que impulsionaram sua campanha na reta final -a saber, a ala mais reacionária das igrejas, o "cinturão do agronegócio" e os arautos do pensamento conservador nacional. Ou seja, um governo minoritário refém de setores obscuros do atraso para fazer frente à oposição.
Mas ainda há algo que os números não mostram. Mesmo entre seus aliados, é consenso que a personalidade de José Serra é, digamos, bonapartista. Caracterizado por ser centralizador e avesso à crítica (basta ver sua coleção de reações destemperadas a jornalistas que lhe colocam perguntas incômodas), José Serra mostrou inabilidade até para sustentar sua coligação (o PTB a abandonou por se sentir desprestigiado). Sua capacidade de negociação é limitada, vide a novela da escolha de seu vice.
Governo minoritário, sociedade acirrada, presidente bonapartista. Desde a eleição de Fernando Collor, o Brasil não conheceu uma situação com tais componentes. Para não deixar muito à mostra esta realidade problemática que os números mostram, talvez o melhor seja mesmo discutir crenças religiosas e correr atrás de mulheres que abortam.


VLADIMIR SAFATLE é professor no departamento de filosofia da USP.



Escrito por Thiago Esperandio às 11h41
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A hipocrisia dos tucanos e o atraso que isso traz ao país

A campanha eleitoral voltou à Idade Média. As declarações de Serra e sua esposa difamando Dilma entre os religiosos despertou uma intolerância religiosa que podia muito bem ficar adormecida no Brasil. Dilma tem sido constrangida a assumir compromissos tolos para não perder a eleição e entregar o país na mão desta direita que levaria o brasil a um retrocesso social. Isso é triste.

Em vez de discutirmos educação e erradicação da pobreza, soberania nacional, estamos sendo pautados por difamações e mentiras sobre assuntos que competem à crença individual.

Isso se dá, porque, se a discussão abordasse temas realmente relevantes para o país, os tucanos perderiam a eleição de forma humilhante. A única tática que lhes resta é a difamação e trazer à tona, sentimentos preconceituosos e falsos moralismos para distorcer o debate.

Cristão, para mim, é viver em um país justo, onde o pão e o peixe são divididos entre as pessoas.

Hoje, no jornal Serrista, Folha de São Paulo, uma reportagem mostra até onde vai a hipocrisia de Serra e sua mulher. Reproduzo a reportagem na íntegra, pois ela só está disponível para assinantes UOL:

 

Monica Serra contou ter feito aborto, diz ex-aluna

Reportagem tentou ouvir mulher de candidato tucano por dois dias, sem sucesso

MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

O discurso do candidato à Presidência José Serra (PSDB) de que é contra o aborto por "valores cristãos", que impedem a interrupção da gravidez em quaisquer circunstâncias, é questionado por ex-alunas de sua mulher, Monica Serra.
Num evento no Rio, há um mês, a psicóloga teria dito a um evangélico, segundo a Agência Estado, que a candidata Dilma Rousseff (PT), que já defendeu a descriminalização do aborto, é a favor de "matar criancinhas".
Segundo relato feito à Folha por ex-alunas de Monica no curso de dança da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a então professora lhes contou em uma aula, em 1992, que fez um aborto quando estava no exílio com o marido.
Depois do golpe militar no Brasil, Serra se mudou para o Chile, onde conheceu a mulher. Em 1973, com o golpe que levou Augusto Pinochet ao poder, o casal se mudou para os Estados Unidos.

OUTRO LADO
A Folha tentou falar com Monica Serra durante dois dias para comentar o relato das ex-alunas, sem sucesso.
Um dia depois do debate da TV Bandeirantes, no domingo, 10, a bailarina Sheila Canevacci Ribeiro, 37, postou uma mensagem em seu Facebook para "deixar a minha indignação pelo posicionamento escorregadio de José Serra" em relação ao tema.
Ela escreveu que Serra não respeitava "tantas mulheres, começando pela sua própria mulher. Sim, Monica Serra já fez um aborto". A mensagem foi replicada em outras páginas do site e em blogs.
"Com todo respeito que devo a essa minha professora, gostaria de revelar publicamente que muitas de nossas aulas foram regadas a discussões sobre o seu aborto traumático", escreveu Sheila no Facebook. "Devemos prender Monica Serra caso seu marido fosse [sic] eleito presidente?"
À Folha a bailarina diz que "confirma cem por cento" tudo o que escreveu. Sheila afirma que não é filiada a partido político. Diz ter votado em Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) no primeiro turno. No segundo, estará no Líbano, onde participará de performance de arte.
Se estivesse no Brasil, optaria por Dilma Rousseff (PT). Sheila é filha da socióloga Majô Ribeiro, que foi aluna de mestrado na USP de Eva Blay, suplente de Fernando Henrique Cardoso no Senado em 1993. Majô foi pesquisadora do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero da USP, fundado pela primeira-dama Ruth Cardoso (1930-2008).
Militante feminista, Majô foi candidata derrotada a vereadora e a vice-prefeita em Osasco pelo PSDB.
A socióloga disse à Folha estar "preocupada" com a filha, mas afirma que a criou para "ser uma mulher livre" e que ela "agiu como cidadã".
Sheila é casada com o antropólogo italiano Massimo Canevacci, que foi professor de antropologia cultural na Universidade La Sapienza, em Roma, e hoje dirige pesquisas no Brasil.
A Folha localizou uma colega de classe de Sheila pelo Facebook. Professora de dança em Brasília, ela concordou em falar sob a condição de anonimato.
Contou que, nas aulas, as alunas se sentavam em círculos, criando uma situação de intimidade. Enquanto fazia gestos de dança, Monica explicava como marcas e traumas da vida alteram movimentos do corpo e se refletem na vida cotidiana.
Segundo a ex-estudante, as pessoas compartilhavam suas histórias, algo comum em uma aula de psicologia.
Nesse contexto, afirmou, Monica compartilhou sua história com o grupo de alunas. Disse ter feito o aborto por causa da ditadura.
Ainda de acordo com a ex-aluna, Monica disse que o futuro dela e do marido, José Serra, era muito incerto.
Quando engravidou, teria relatado Monica à então aluna, o casal se viu numa situação muito vulnerável.
"Ela não confessou. Ela contou", diz Sheila Canevacci. "Não sou uma pessoa denunciando coisas. Mas [ela é] uma pessoa pública, que fala em público que é contra o aborto, é errado. Ela tem uma responsabilidade ética."


Colaboraram LIGIA MESQUITA e MARCUS PRETO , de São Paulo



Escrito por Thiago Esperandio às 12h27
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Porque voto Dilma em 31/10

Diante de e-mails que tenho recebido sobre Dilma com fichas criminais falsas, informações religiosas tolas e falsas, previsões de Nostradamus também falsas e, NUNCA, um argumento a favor do candidato Serra, resolvi dizer porque voto Dilma.

Gostaria que os eleitores de Serra dissessem uma qualidade que apreciam no candidato a quem pretendem entregar o Brasil em vez de ficarem disfarçando seu preconceito contra quem quer ajudar os pobres mandando informações mentirosas:

 

Porque voto Dilma:

 

Em 31/10, voto DILMA para que o Brasil continue crescendo e gerando empregos para todos como tem acontecido desde que Lula assumiu a presidência.

Voto DILMA para que continuem projetos humanitários como o BOLSA FAMÍLIA, o LUZ PARA TODOS, o PROUNI e tantos outros, que estão acabando com a fome, com o isolamento e com a falta de acesso à educação pelos pobres. Esses projetos, além de humanitários, se mostraram muito eficazes para a economia, pois criou um mercado interno que ajudou o Brasil a superar a maior crise econômica do capitalismo em 2008

Voto DILMA para que continue o Minha Casa Minha Vida que vem possibilitando a pessoas, de todas as classes sociais, conseguirem sua CASA PRÓPRIA.

Nunca, um governo se utilizou de recursos para ajudar tão enfaticamente essa questão.

Voto DILMA, em 31/10, para que o Brasil continue com sua política externa soberana. Temos a maior reserva de água doce do planeta, temos a amazônia e suas riquezas, temos o pré-sal. Precisamos de um governo que não venda o Brasil como Fernando Henrique e Serra fizeram quando governaram.

O pré-sal é uma riqueza inestimável que deve ser usada para que o Brasil coloque suas crianças nas escolas, para que desenvolvamos tecnologia e para que a fome seja erradicada de nosso país.

Voto DILMA porque um país rico como o nosso, NÃO pode ter pessoas morrendo de fome.

Voto DILMA para que as riquezas brasileiras, pertençam a todos, elas são suficientemente grandes para serem divididas

Voto DILMA para que o Brasil enfrente crises financeiras com a ação dos bancos públicos colocando crédito no Mercado, como aconteceu em 2008, e não como acontecia com FHC quando o governo vendia patrimônio público e deixava o povo e os microempresários brasileiros ao “Deus dará”.

Voto DILMA para que os bancos públicos brasileiros façam investimentos no mercado e não sejam vendidos a preço de banana

Voto DILMA para que Serra não possa vender a riqueza do Brasil para as empresas estrangeiras e enriquecer apenas quem não precisa ser mais rico.

Voto DILMA pois Serra sempre esteve ligado ao capital estrangeiro que vem ao Brasil, cria poucos empregos, paga baixos salários e remete seus lucros para seus países de origem.

Voto DILMA, pois Serra está ligado ao que há de mais extremista e INTOLERANTE dentro das RELIGIÕES. Nosso povo é respeitador das diferenças, não temos guerra, não temos intolerância religiosa, não concordamos com intolerância aos HOMOSSEXUAIS como pregam a TFP e outras associações religiosas ligadas a Serra.

Voto DILMA para que Serra não coloque a polícia para bater em professores, para que os funcionários públicos de hospitais e outros órgãos públicos não sejam mal pagos e desrespeitados.

Voto DILMA para que as polícias civis e militares não troquem tiros uma com a outra como já aconteceu em SP.
 
Voto DILMA para que o Brasil seja um lugar um pouco mais justo para se viver: Mais igual, menos violento, mais HUMANO!



Escrito por Thiago Esperandio às 18h01
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Profecia de Nostradamus

Como tenho recebido falsas profecias de Nostradamus por e-mail, dizendo que a Dilma não pode ganhar as eleições, resolvi criar minha própria profecia. Participem!!! Coloquem suas próprias profecias em seus blogs ou no comentário de meu blog. Depois eu publico na primeira página. Divulguem pelo twitter... Segue minha própria profecia de Nostradamus:

 

Previu Nostradamus em seu livro Carta ao Reinado da Grande Floresta (Deve ser o Brasil por causa da amazônia) que, no ano em que a ave bicuda tiver sua asa cortada pela estrela renascida de uma doença grave, a fartura reinará no maior país do sul da terra por muitos anos e o líquido preto (petróleo do pré-sal provavelmente) será distribuído para que os flagelados pela ganância cheguem ao poder e deem dignidade às suas crias. O Reinado da Grande Floresta triunfará pelo Mundo e dará exemplo aos povos que só pensam na sua própria sobrevivência opulenta.



Olhem... Nostradamus previu que a Dilma (renascida da grave doença / estrela = PT) vai distribuir o dinheiro do pré-sal e todos os pobres vão criar seus filhos dignamente. Depois previu que o Brasil vai dar exemplo ao mundo de como é possível ficar bem sem manter o povo na miséria...



Escrito por Thiago Esperandio às 18h12
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Aos verdes que votarão em Serra no segundo turno

Um texto do ótimo professor da USP, Flávio Aguiar, lembra aos verdes, quem é Serra e a falta de compromisso ecológico e moral de seu projeto.

 

Segue texto na íntegra:

 

Lembretes para o segundo turno de 2010

Flávio Aguiar

Aos meus amigos verdes, gostaria de lembrar que Fernando Gabeira já declarou apoio a Serra, o que mostra como de fato ele considera Marina da Silva e as instâncias do próprio partido.

Assim como a causa ambiental, uma vez que entre Serra/DEM/Índio da Costa e causas ambientais há uma distância de anos-luz.

É bom lembrar também que Serra ganhou nos estados do chamado “espinhaço do agro-business”, que vai de Santa Catarina a Rondônia. Isso permite uma bela previsão do que vai ser o seu governo, muito mais do que frases sem cabeça nem pé.

A propósito de anos-luz: o que ajudou a empurrar Serra para o segundo turno, dando mais votos a Marina, foi a campanha obscurantista, retrógrada, caluniosa e que usa o nome de todas as religiões em vão, acusando, por exemplo, Dilma Rousseff de ser a favor do aborto.

Aos preocupados com a liberdade de imprensa, lembro que na mídia que apóia a candidatura de Serra, velada ou abertamente, desde 2006 tornaram-se comuns as “operações limpeza” (inclusive a pedido), eliminando jornalistas (inclusive de renome) dissidentes (como durante a ditadura) ou que não tocavam de acordo com a música.

Já a quem se preocupe com política externa, lembro que, se Serra levar a sério suas declarações durante a campanha, erguerá uma cortina de ferro nas fronteiras do nosso país, acabando com a integração continental. Sem falar que retornaremos aos tempos do beija-mão e da barretada à potência de plantão. O Brasil vai perder todo o prestígio que acumulou nos últimos anos. Vai murchar em matéria de contatos com a África, Ásia e América Latina, sem que isso signifique uma melhor posição diante da Europa ou da América do Norte.

Se a preocupação for com a idéia de que “é bom alternar quem está no poder”, sugiro que comecemos por pensar no caso de S. Paulo, o segundo orçamento da nação, que completará vinte anos sob a batuta da coligação PSDB/DEM, com resultados precários na educação, saúde e segurança.

Para quem ache que “é tudo a mesma coisa”, lembro que a arte da política (de acordo, entre outros, com Gramsci) é a de discernir as diferenças para além das aparentes semelhanças, e que essas diferenças aparecem mais pelo acúmulo de atos do que pelo de palavras e promessas.

Lembro ainda que, devido aos resultados do primeiro turno, uma vitória de Serra vai transformar o governo federal em cabide para uma penca de políticos subitamente desempregados da sua coligação, que já deviam estar defenestrados (pelo voto, como foram) da nossa vida pública há muito tempo.

É bom não esquecer que Serra não apresentou qualquer programa. Mas seu último ato significativo no governo de S. Paulo foi a privatização da Nossa Caixa, brecada porque adquirida pelo Banco do Brasil. Isso é um bom prognóstico para o que vai acontecer com o Banco do Brasil. Caixa Econômica Federal, Petrobrás, etc.

Ao invés de programas, Serra distribuiu gestos e palavras a esmo. Dizer que quem fuma é contra Deus, puxar Ave Maria em missa, falar em austeridade fiscal e ao mesmo tempo prometer aumentos vertiginosos do salário mínimo, dizer que tem preocupação ambiental e ao mesmo tempo prometer no Pará que vai mexer na legislação que protege a Amazônia não é um programa nem um bom começo para quem quer alardear honestidade política e coerência.

E por aí se vai.

Dilma, por sua vez, defende um programa (que pôs em prática) ao mesmo tempo social e austero, demonstrou ser uma candidata de idéias próprias e não um factóide de si mesmo que fica esgrimindo promessas a torto (sobretudo) e a direito. Foi atacada, caluniada, difamada e manteve a linha o tempo inteiro (ao contrário de Serra, que seguido perdeu a linha quando confrontado com perguntas incômodas), não recorreu a esses golpes baixos tão típicos das campanhas da direita. Não é o caso de se concordar com ela em tudo. Mas Dilma é diálogo.



Escrito por Thiago Esperandio às 12h00
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Porque voto Dilma e em quem mais vou votar

Faz tempo que não escrevo para o Blog. Não se trata de falta de assunto e opiniões, mas falta de tempo. No entanto, hoje é véspera de uma eleição que pode levar o país para um bom caminho, ou fazê-lo voltar para o retrocesso em que vivíamos. Por isso, escrevi um texto falando em quem voto e porque:

 

Neste Domingo, voto Dilma para que o Brasil continue crescendo e gerando empregos para todos como tem acontecido desde que Lula assumiu.

Voto Dilma para que o Brasil enfrente crises financeiras com a ação do governo federal colocando crédito no Mercado, como aconteceu em 2008, e não como acontecia com FHC quando o governo vendia patrimônio público e deixava o povo ao “Deus dará”

Voto Dilma para que continuem projetos humanitários como o Bolsa Família, o Luz para Todos, o Prouni, o Minha Casa Minha Vida e tantos outros, que estão acabando com a fome, com o isolamento, com a falta de acesso à educação e com o problema de moradia pelos pobres e também pela classe média em alguns casos. Esses projetos, além de humanitários, se mostraram muito eficazes para a economia, pois criou um mercado interno que ajudou o Brasil a superar a maior crise econômica do capitalismo em 2008

Voto Dilma, neste Domingo, para que o Brasil continue com sua política externa soberana. Temos água, temos a amazônia, temos o pré-sal. Precisamos de um governo que não venda o Brasil como os tucanos fizeram quando governaram e como o PV de Marina quer fazer, já que os integrantes do PV são tucanos disfarçados.

Também voto Mercadante para que São Paulo tenha um governo. É simples assim: precisamos ter um governo.

Quem conhece a educação paulista, quem sabe que em 4 anos, Alckmin construiu apenas 2,6Km de Metrô, quem sabe que São Paulo começou a construir seu metrô junto com o México e, hoje o México tem mais de 200Km de metrô, e SP tem 60, não pode achar que nosso estado é governado.

Voto em Mercadante para que, venha ao conhecimento do povo, o conteúdo das mais de 60 CPIs pedidas pela assembleia de São Paulo. Todas essas CPIs foram impedidas de acontecer pelos deputados do PSDB.

Voto também em Marta, para o senado, pois quero que projetos como o CEU, o Bilhete Único e tantos outros que ela fez como prefeita, sejam comum a todos os paulistanos. Com a experiência dela na implementação destes projetos, ela vai poder atuar no senado para trazer recursos para eles.



Escrito por Thiago Esperandio às 12h44
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O Deus de nossos tempos

Frei Betto sempre dispensa comentários. Talvez seja o autor mais reproduzido neste blog. Segue texto na íntegra:

 

Sinais dos Tempos, por Frei Betto

O mercado é o novo fetiche  religioso da sociedade em que vivemos. Antigamente, nossos avós consultavam a  Bíblia, a palavra de Deus, diante dos fatos da vida. Nossos pais, o serviço de  meteorologia: “Será que vai chover?”. Hoje, consulta-se o mercado: “O dólar  desvalorizou? Subiu a Bolsa? Como oscilou o mercado de capitais?”.

Diante de uma catástrofe, de  um acontecimento inesperado, dizem os comentaristas econômicos: “Vamos ver  como o mercado re­age”. Fico imaginando um senhor, Mr. Mercado,  tran­cado em seu castelo e gritando pelo celular: “Não gostei da fala do  ministro, estou irado.” Na mesma hora os telejornais destacam: “O mercado não  reagiu bem frente ao discurso ministerial”.

Para as agências de  publicidade, o mercado no Brasil compreende cerca de 40 milhões de  consumidores. Neste país de 190 milhões de habitantes, uma minoria tem acesso  aos bens supérfluos. Os demais, só aos de necessidade indispensável.

O grande desafio das pessoas  em idade produtiva, hoje, é como se inserir no mercado. Devem ser  competitivas, ter qualificação, disputar espaços. Sabem que o sistema  recomenda não levarem a sério conotações éticas e encarar como quimérico um  planejamento de inclusão das maiorias. O mercado é, agora, internacional,  globalizado; move-se segundo suas próprias regras, e não de acordo com as  necessidades humanas.

A crise da modernidade é,  portanto, também a do racionalismo. No início da modernidade, principalmente  na época dos iluministas, a religião era considerada superstição. Camponeses  da Idade Média regavam seus campos com água benta, agradeciam aos padres (que,  diga-se de passagem, cobravam pela água benta) e depois louvavam a Deus pela  boa colheita. Até o dia em que apareceu um senhor oferecendo a eles um pozinho  preto, o adubo, que também custava dinheiro, mas não dependia da ira ou do  agrado divino – bastava aplicá-lo à terra e aquilo facilitava a colheita.

O adubo funcionou melhor que a  água benta! Muitos camponeses perderam a fé, porque a concepção de Deus  predominante na Idade Média era a de um Ser utilitário. (Por isso se costuma  dizer, em teologia, que Deus não é nem supérfluo nem necessário; é gratuito,  como todo amor).

Outrora falava-se em produção;  quem tinha um capital, precisava investi-lo, produzir. Hoje, fala-se em  especulação. Dinheiro produz dinheiro. A cada dia, através de computadores,  bilhões de dólares rodam o planeta em busca de melhores lucros. Passam da  Bolsa de Singapura para a de Tóquio, desta para a de Buenos Aires, desta para  a de São Paulo, desta para a de Nova York, e assim por diante. Agora, em  Singapura, provavelmente estarão discutindo o que fazer com US$ 6 bilhões  disponíveis no mercado.

Outrora, falava-se em  marginalização. Alguém marginalizado no emprego ainda tinha esperança de  voltar ao centro. Hoje, marginalização cedeu lugar a outro termo, exclusão – o  ser humano excluído não tem esperança de volta, porque o neoliberalismo é  intrinsecamente excludente. A exclusão não é um problema para ele, tal como a  marginalização era para o liberalismo: é parte da lógica de crescimento do  sistema e da acumulação de riquezas.

Antes, falava-se em Estado, o  importante era fortalecer o Estado. Um ministro da ditadura militar chegou a  declarar: “Vamos fazer crescer o bolo, depois haveremos de dividi-lo.” Só que  o bolo cresceu, e o gato comeu, não se viu o resultado. Aqueles mesmos  políticos que advogavam o crescimento do Estado defendem, hoje, a sua  destruição, com o sofisticado lema da ‘privatização’.

Não sou radicalmente contrário  à privatização, nem estatista. Há países ricos – como a França e o Reino Unido  - nos quais os serviços públicos estatais funcionam muito bem. Não é por serem  públicas que as empresas e os serviços devem operar negativamente. A história  é outra: muitos políticos, que deveriam ser homens públicos, estão  prioritariamente ligados a empresas privadas, de maneira que não têm interesse  em que as coisas públicas, estatais, funcionem bem. O maior exemplo disso é o  serviço de saúde no Brasil. São US$ 8 bilhões circulando por ano nos planos  privados de saúde, que atendem apenas 30 milhões de pessoas numa população de  190 milhões. Por que o SUS haveria de funcio­nar bem? Outrora, alguém  ficava doente e dava graças a Deus por conseguir um lugar no hospital. Hoje,  as pessoas morrem de medo de ir para o hospital. Hospital virou antessala de  cemitério.

A privatização  não é só econômica, é também filosófica, metafísica. Tem reflexos na nossa  subjetividade. Também nos tornamos seres cada vez mais privatizados, menos  solidários, menos interessados nas causas coletivas e menos mobilizáveis para  as grandes questões. A privatização invade até mesmo o espaço da religião:  proliferam as crenças ‘privatizantes’, que têm conexão direta com Deus. Isso é  ótimo para quem considera que o próximo incomoda. É a privatização da fé,  destituindo-a da sua dimensão social e política.

Enfim, hoje fala-se em  globalização; ótimo que o planeta tenha se transformado numa aldeia. O que  preocupa é constatar que esse modelo é, de fato, a imposição ao planeta do  paradigma anglo-saxônico. Melhor chamá-lo de  globocolonização!

Fonte do texto: Jornal Sul21



Escrito por Thiago Esperandio às 20h44
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Tostão fala sobre Neymar

Na imprensa esportiva, há 50% de cretinos que querem a execração de um idiota chamado Neymar e 50% que querem liberá-lo para ser o completo idiota que ele é só porque ele tem dinheiro e, principalmente, porque traz dinheiro ao empresário, imprensa, etc... o que em nossos dias, dá direito de a pessoa fazer o que bem (des)entender. 

Entre esses, existe o Tostão, que é o único comentarista esportivo que merece ser lido, porque sabe falar sobre futebol e sabe falar sobre a sociedade, uma vez que um não se separa do outro.

Como o texto do Tostão que saiu na Folha está disponível só para assinantes, reproduzo abaixo para que mais gente leia:


A fila anda, Por Tostão

 

Neymar e muitos jovens querem se exibir e mostrar que são ousados. Sempre foi assim. Hoje, mais

É preciso separar as coisas. Neymar tem chances de se tornar outro fenômeno do futebol. Muitos marcadores tentam pará-lo na trombada. Alguns acham ainda que Neymar quer humilhá-los.

Se Messi tentasse, no Brasileirão, driblar como fez nessa semana contra o Panathinaikos, passando a bola algumas vezes por debaixo da perna dos marcadores, receberia muitas pancadas.

Outro fato, que não anula o anterior, é que Neymar está exibicionista. Com quedas teatrais, tenta levar vantagem, chamar a atenção e enganar os árbitros. E ainda desrespeita o companheiro e o técnico do Santos.

René Simões, treinador do Atlético-GO, profissional respeitado, um dos raros que tentam dar um pouco de delicadeza e humanismo ao futebol, disse, ao escutar as palavras de Neymar durante a partida, que nunca viu, esportivamente, um jogador tão mal-educado e que estão criando um monstro.

Quis dizer monstro no sentido de não ter limites. Isso não é novidade na sociedade.

A necessidade de Neymar de mostrar que é ousado é a mesma de muitos jovens. Alguns chegam até a tirar a roupa e espalhar as imagens pela internet.

Neymar foi criado, desde menino, dentro do clube e por empresários, para se tornar um craque e uma celebridade, e não para ser um cidadão.

Precisam também parar de chamar Neymar de criança. Ele já tem 18 anos e é responsável por seus atos.

No passado, muitos atletas famosos eram também deslumbrados e transgressores. Como hoje, havia a transgressão salutar e desejável, a de não repetir a hipocrisia da vida social, e a transgressão inconsequente, como a de Neymar e a de outros jovens. O exibicionismo e a transgressão apenas ficaram mais exagerados.

Antes, as pessoas se sentiam culpadas por desejar o que não era permitido, mesmo se não fizessem nada. Hoje, a culpa é por não fazerem tudo o que desejam, mesmo o que é proibido. É uma sociedade gananciosa e narcisista.

O ex-craque Dirceu Lopes, que pecava por não ter nenhum deslumbramento, afirmava que ninguém estava preparado para a fama. Além disso, a fama empobrece o ser humano.

A sociedade do espetáculo, expressão criada por Guy Debord, em 1967, tem pressa. Neymar se tornou uma celebridade antes de se tornar um craque habitual da seleção brasileira.

Assim como a sociedade tem pressa de descobrir celebridades, tem também de sugá-las e descartá-las. Neymar precisa ter cuidado.

A fila anda.

 



Escrito por Thiago Esperandio às 15h38
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O "efeito Lula" nas eleições 2010

Reproduzo, na íntegra, um bom artigo publicado no jornal O Globo em que o colunista Daniel Reis propõe uma reflexão mais profunda sobre a influência de Lula nestas eleições.

Segue o artigo:


Uma grande inversão

DANIEL AARÃO REIS – O GLOBO

A disparada de Dilma Rousseff nas pesquisas de opinião pública tem suscitado interpretações diversas.

Duas constatações mobilizam os comentaristas: a primeira é a popularidade do governo, atingindo patamares de quase unanimidade, se computados como favoráveis os que avaliam o desempenho de Lula como ótimo, bom ou regular. Depois de oito anos, trata-se de algo raro.

A segunda constatação é a capacidade de transferência de votos do presidente. Também não é algo comum.

O comum é o inverso. Líderes de expressão nem sempre conseguem “fazer” os sucessores. Isto se deve, em parte, à vontade deles mesmos, por medo que os herdeiros possam obscurecer sua liderança, apagandoos da história. Leonel Brizola era craque nisto: nunca elegeu um sucessor, embora saindo de governos com alto índice de popularidade.

O mesmo aconteceu na sucessão de FHC. Embora desgastado, foi notório que ele preferia transferir a faixa presidencial ao líder operário, mesmo porque estava convencido de que a gestão deste seria um fracasso, favorecendo, quem sabe, a sua volta ao poder. No entanto, mesmo que os líderes o desejem, a transferência de votos nem sempre se dá, ou se dá de forma tão parcial que os herdeiros perdem as eleições.

Ora, o que surpreende nesta campanha eleitoral é a capacidade de transferência de votos de Lula para Dilma. Esta era uma personagem desconhecida em termos eleitorais. Sua vocação era outra: a de servidora pública, empenhada na gestão de empresas estatais ou planos de desenvolvimento.

Assim, quando Lula sacou o seu nome e o apresentou ao distinto público, não faltaram análises de que o homem não queria eleger o sucessor, no caso, sucessora.

Escolhera um nome destinado a uma derrota eleitoral honrosa, evitando sombras em sua popularidade.

Mas não foi isto que aconteceu.

Lula investiu na herdeira, pessoalmente e com a máquina pública. Os resultados não se fizeram esperar e até agora espantam os analistas.

O que dizer destas evidências? Os mais simplórios, como sempre, denunciam sombrias manipulações.

É uma velha cantilena, de direita e de esquerda. Quando o eleitorado não acompanha suas propostas é porque está sendo manipulado. Para a velha UDN, era Vargas o grande manipulador.

Para as esquerdas, depois da ditadura, era a TV Globo que orquestrava as mentes. A conclusão é sempre a mesma: as pessoas não sabem votar.

Multidões passivas, despolitizadas, idiotas! Idiota, no caso, é a interpretação, incapaz de compreender a complexidade do processo histórico.

Uma outra linha interpretativa foi importada de análise feita nos EUA a propósito da eleição de Bill Clinton.

Um gênio teria formulado a frase: é a economia, seu estúpido! Queria dizer com isto que o eleitorado estadunidense estaria votando de acordo com seus interesses econômicos. Como Clinton falou, e muito, do assunto, ganhou as eleições com folga.

Transportada para o Brasil, a tese poderia ser assim traduzida: as classes populares, na grande maioria, estariam votando com o bolso, ou seja, como os governos de Lula as beneficiaram economicamente, elas tenderiam a manter uma fidelidade canina ao benefactor.

A análise não é destituída de fundamento.

Com efeito, os interesses econômicos são um ingrediente importante nas escolhas de qualquer eleitorado. Mas, se o ser humano não vive sem pão, sabe-se também que “nem só de pão vivem os humanos”.

A hipótese que sustento é que a aprovação do governo Lula e a sua inusitada capacidade de transferência de votos residem num processo mais profundo: o acesso progressivo das classes populares à cidadania.

Lula é a expressão maior disso. Ele é visto como o político que promoveu como ninguém este acesso. Isto tem a ver com bens materiais, sem dúvida.

Mas há outros bens, simbólicos, mais importantes que o pão nosso de cada dia. E é isto que as direitas raivosas e as esquerdas radicais não percebem. As pessoas comuns, desde os anos 1980, e cada vez mais, começaram a achar graça nas instituições e nas lutas institucionais. Política, assunto de brancos ricos, começou a ser também de pardos, negros, índios e brancos pobres.

Esta é uma novidade óbvia, senhores e senhoras das elites brancas (a expressão é de Cláudio Lembo, líder conservador). Se Vossas Excelências puserem o ouvido no chão, talvez sejam capazes de ouvir o tropel que se aproxima. Se olharem para o mar, vão ver o tsunami que vem por aí. Na história desta república, só antes de 1964 houve coisa parecida com o que está ocorrendo agora. Entretanto, na época, os movimentos populares queriam muito e muito rápido. Não deu. Veio o golpe, paralisou e reverteu o processo. Agora, não. A multidão come pelas bordas, com paciência e moderação, devagar e sempre, mas a fome destas gentes é insaciável.

Quando as pessoas comuns compreendem os benefícios da democracia, querem para elas também. É raso imaginar que tudo se esgota no pão.

O pão quentinho é gostoso, quem não gosta? É mais do que isto, porém: os comuns querem a cidadania. Plena.

Querem jogar o jogo político como gente grande, como antes só os brancos ricos faziam. Uma grande inversão.

Vai dar? Não vai dar? Veremos. Mas uma coisa é certa: não vai ser tão fácil deter esta onda.



Escrito por Thiago Esperandio às 18h20
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Consolidar a ruptura histórica operada pelo PT, Por Leonardo Boff

Não tenho tido tempo para escrever, nem mesmo para postar coisas legais que tenho lido, no entanto, tem coisas que não podem deixar de ser postadas. Há autores que dispensam qualquer comentário, Leonardo Boff é um deles. Resta torcer para que muitos leiam seus textos. Segue abaixo na íntegra:

 

Para mim o significado maior desta eleição é consolidar a ruptura que Lula e o PT instauraram na história política brasileira. Derrotaram as elites econômico-financeiras e seu braço ideológico, a grande imprensa comercial. Notoriamente, elas sempre mantiveram o povo à margem da cidadania, feito, na dura linguagem de nosso maior historiador mulato, Capistrano de Abreu, "capado e recapado, sangrado e ressangrado". Elas estiveram montadas no poder por quase 500 anos. Organizaram o Estado de tal forma que seus privilégios ficassem sempre salvaguradados. Por isso, segundo dados do Banco Mundial, são aquelas que, proporcionalmente, mais acumulam no mundo e se contam, política e socialmente, entre as mais atrasadas e insensíveis. São vinte mil famílias que, mais ou menos, controlam 46% de toda a riqueza nacional, sendo que 1% delas possui 44% de todas as terras. Não admira que estejamos entre os países mais desiguais do mundo, o que equivale dizer, um dos mais injustos e perversos do planeta.

Até a vitória de um filho da pobreza, Lula, a casa grande e a senzala constituíam os gonzos que sustentavam o mundo social das elites. A casa grande não permitia que a senzala descobrisse que a riqueza das elites fora construída com seu trabalho superexplorado, com seu sangue e suas vidas, feitas carvão no processo produtivo. Com alianças espertas, embaralhavam diferentemente as cartas para manter sempre o mesmo jogo e, gozadores, repetiam: "façamos nós a revolução antes que o povo a faça". E a revolução consistia em mudar um pouco para ficar tudo como antes. Destarte, abortavam a emergência de outro sujeito histórico de poder, capaz de ocupar a cena e inaugurar um tempo moderno e menos excludente. Entretanto, contra sua vontade, irromperam redes de movimentos sociais de resistência e de autonomia. Esse poder social se canalizou em poder político até conquistar o poder de Estado.

Escândalo dos escândalos para as mentes súcubas e alinhadas aos poderes mundiais: um operário, sobrevivente da grande tribulação, representante da cultura popular, um não educado academicamente na escola dos faraós, chegar ao poder central e devolver ao povo o sentimento de dignidade, de força histórica e de ser sujeito de uma democracia republicana, onde "a coisa pública", o social, a vida lascada do povo ganhasse centralidade. Na linha de Gandhi, Lula anunciou: "não vim para administrar, vim para cuidar; empresa eu administro, um povo vivo e sofrido eu cuido". Linguagem inaudita e instauradora de um novo tempo na política brasileira. O "Fome Zero", depois o "Bolsa Família", o "Crédito Consignado", o "Luz para Todos", o "Minha Casa, minha Vida, o "Agricultura familiar, o "Prouni", as "Escolas Profissionais", entre outras iniciativas sociais permitiram que a sociedade dos lascados conhecesse o que nunca as elites econômico-financeiras lhes permitiram: um salto de qualidade. Milhões passaram da miséria sofrida à pobreza digna e laboriosa e da pobreza para a classe média. Toda sociedade se mobilizou para melhor.

Mas essa derrota infligida às elites excludentes e anti-povo, deve ser consolidada nesta eleição por uma vitória convincente para que se configure um "não retorno definitivo" e elas percam a vergonha de se sentirem povo brasileiro assim como é e não como gostariam que fosse. Terminou o longo amanhecer.

Houve três olhares sobre o Brasil. Primeiro, foi visto a partir da praia: os índios assistindo a invasão de suas terras. Segundo, foi visto a partir das caravelas: os portugueses "descobrindo/encobrindo" o Brasil. O terceiro, o Brasil ousou ver-se a si mesmo e aí começou a invenção de uma república mestiça étnica e culturalmente que hoje somos. O Brasil enfrentou ainda quatro duras invasões: a colonização que dizimou os indígenas e introduziu a escravidão; a vinda dos povos novos, os emigrantes europeus que substituíram índios e escravos; a industrialização conservadora de substituição dos anos 30 do século passado mas que criou um vigoroso mercado interno e, por fim, a globalização econômico-financeira, inserindo-nos como sócios menores.

Face a esta história tortuosa, o Brasil se mostrou resiliente, quer dizer, enfrentou estas visões e intromissões, conseguindo dar a volta por cima e aprender de suas desgraças. Agora está colhendo os frutos.

Urge derrotar aquelas forças reacionárias que se escondem atrás do candidato da oposição. Não julgo a pessoa, coisa de Deus, mas o que representa como ator social. Celso Furtado, nosso melhor pensador em economia, morreu deixando uma advertência, título de seu livro A construção interrompida (1993): "Trata-se de saber se temos um futuro como nação que conta no devir humano. Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromper o nosso processo histórico de formação de um Estado-Nação" (p.35). Estas não podem prevalecer. Temos condições de completar a construção do Brasil, derrotando-as com Lula e as forças que realizarão o sonho de Celso Furtado e o nosso.

Fonte do Texto: Adital

 



Escrito por Thiago Esperandio às 11h15
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O desespero de Serra

O chargista IQUE, do Jornal do Brasil, expressa com muito bom humor o desespero de Serra tentando fazer o povo pensar que ele é o candidato do lula.

 



Escrito por Thiago Esperandio às 21h40
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Quais as chances de Serra ganhar?

Assim como no futebol, as equipes que montam o horário eleitoral estão muito equilibradas atualmente.

Já se foi o tempo em que Collor tinha, a seu lado, toda aquela tecnologia, contra os programas feitos com baixo orçamento, suor e raça pelo PT de Lula

Hoje o jogo se equilibra demais, os candidatos preparam muito a defesa tanto para os debates quanto para os programas da TV.

O emaranhado de números coloca todos os candidatos em dúvida, ou seja, no mesmo patamar.

O jogo da TV ou dos debates não é mais tão decisivo como foi antes. Deixaram de ser o mata-mata e agora, o campeonato é por pontos corridos, digamos.

Isso é desanimador para Serra e seus aliados que estão muitos pontos atrás de Dilma

O time de Serra precisaria de muitas goleadas para mudar a eleição.

No entanto, podemos dizer que entra nos jogos com um jogador a menos, porque tem menos tempo de exposição na TV e ainda tem no time adversário, o Pelé da política, Lula. Que se não pode ser o centroavante nestas eleições, está jogando muito bem no meio-campo.

As maiores goleadas no confronto direto entre os times sempre saem com boa ajuda das circunstâncias e não quando os times entram em campo sabendo que precisam aplicar a goleada, o que passa a ser um peso muito grande.

O time de Serra sabe disso, sabe das adversidades e o nervosismo diante da tarefa quase impossível já apareceu: a favela cenográfica no programa de TV foi péssima ideia.

A tentativa de chamar Serra, o italiano engomadinho com sotaque da Mooca, de Zé para parecer que ele é o candidato do Lula, que é o candidato do povo, vai fazer o Serra perder até os votos tradicionais dos tucanos, pois eles se sentirão traídos.

Alguns deles devem migrar para a Marina, que já percebeu isso e resolveu atacar Serra no Debate do UOL.

Serra está fingindo que se aliou ao adversário para ver se consegue marcar alguns gols. Elogia Lula, aparece na TV com ele, diz que vai continuar sua obra (etc...), contando com a desinformação das pessoas...

É uma tática de desespero. O campeonato está na reta final e, daqui para frente, os tucanos vão ter que ir até com o goleiro para a área.

Todo seu time (a mídia principalmente que atua na armação das jogadas) vai tentar um chutão para a área quando faltar mais ou menos umas duas semanas. Ou seja, devem tentar criar um grande escândalo como fizeram em 2006 para levar as eleições para o segundo turno.

Se vai dar certo ou se vai aumentar ainda mais a derrota, vai depender de uma série de fatores.

É esperar para ver.



Escrito por Thiago Esperandio às 21h02
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